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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Desenvolvimento??? Sustentável???

Quem, no meio de uma pesquisa, não teve ímpetos de tudo queimar, rasgar, esquecer, fingir que aquilo nem começou, que atire a primeira pedra. Como fui atleta durante bons anos, sempre faço um paralelo entre uma pesquisa e uma partida de basquete. E sempre tenho muito medo do último 3/4 do jogo, ou seja, da reta final. Medo porque esse é o periodo de tempo quando não se tem mais o gás do início, nem o meio gás da metade do jogo. Às vezes, não se tem gás algum. É quando tudo já deixou de ser novidade. É quando vc já se deu conta de que suas idéias talvez se esgotem antes de o jogo acabar. Seu adversário cresce e fica imenso, no caso da pesquisa, toda a avalanche de informação do campo e de referências tão super hiper bem redigidas, algumas já canônicas, tendem a soterrar um pobre pensamento embrionário, que nasce capenga, frágil e sem tetas que o alimente. É preciso ser profundo, rigoroso, pertinente, original, de qualidade. Tem que se auto-afirmar nos congressos, papers, periódicos, livros. O pobre nem bem nasceu e já tem os 12 trabalhos de Hércules para superar. Daí o pensamento esmirrado, já que pensa, reflete que é melhor nem tentar... ai que preguiça! Mario de Andrade. E chega a rir do Descartes e de seu cogito, ergo sum. Já que tudo inventam nesses dias, podiam inventar anabolizantes para o pensamento. Assim ele queimaria etapas e logo seria laureado nos meios intelectuais mais inóspitos.
Mas sempre que entro nessas crises, volto a ler a Hannah. E é com alento que ela quase me sussura aos ouvidos. Pensar cansa, incomoda, dá trabalho, exaure. Mas nada, no plano intelectual, dá mais poder, sensação de prazer infinito do que você saber que foi capaz de pensar algo, e não algo sobre algo, mas pensar alguma coisa.
Então me deixo levar pelas linhas e entrelinhas de Hannah na esperança de que, mais uma vez, ela será o gás q vai fazer o pensamento embrionário sobreviver a mais um dia. Afinal o tempo urge e navegar é preciso, viver não é preciso.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A capacitação: ação sustentável sim.






Tudo aquilo que Hannah Arendt nos falava dos oimoi foi o que encontrei ontem em plena zona rural de Parauapebas. Na área da APA do Igarapé Gelado, que é administrado pelo Instituto Chico Mendes do IBAMA, habitam colonos que para cá vieram sobretudo na década de 80, a maioria vinda de Curionópolis para plantar. São agricultores que têm uma longa história de relação com a Vale, com quem já tiveram todo tipo de conflito. Hoje, a Vale construiu a Estação do Conhecimento, que é um projeto educacional voltado para o mundo rural, que inclui a criação de uma OSCIP e de uma Cooperativa de forma a que a comunidade se aproprie de técnicas agrícolas e pecuárias de ponta para aumentar a produção e organziar a comercialização do excedente, pois idéia é fazer uma agricultura familiar comercial. Mas nada disso é possivel sem a mobilização das pessoas, e nesses três dias está havendo essa atividade que é ministrada por dois coordenadores do instituto Fonte de São Paulo, para funcionários e diretores da Vale, técnicos e gestores da Estação, alguns consultores (da Diagonal de São Paulo) e para a comunidade da APA, muitos associados a APROAPA (a maioria dos participantes). Uma das atividades que mais me tocou foi quando o Tião, um dos coordenadores, incentivou todos ali presentes a contarem a história daquela comunidade, e foi incrível ver os mais antigos da Vale e da Comunidade contarem uma história de luta, sangue e coragem de apropriação do território - uma história que não está nos livros nem nos meios de comunicação. A luta por transformá-lo em APA - Área de Poteção Ambiental, e como um dia a Vale já foi truculenta na relação com a comunidade e como hoje ela mudou. Cheguei a registrar em foto esse momento que, pra mim, foi o mais significativo até aqui dessa relação. A Estação tem tudo para ser uma referência de projeto sustentável não porque tenha preocupação ambiental, produtiva ou social meramente, mas porque, sobretudo, coloca a comunidade no mesmo patamar decisório da Vale e da prefeitura. Porque fomenta um protagonismo que não é fácil de ser fomentado, mas a experiência e a inicativa que ali vi, de pessoas que um dia estavam de lados opostos, hoje podem participar da mesma conversa, discutindo e decidindo juntos, entre iguais, quais rumos o coletivo deve tomar, é sem dúvida, uma experiênca que eu diria inédita. Como afirma a Izabel, a APA não é a Atenas, e a Estação não é a Agora, mas nesses 3 dias, acho q ela chegou perto, e acho que a Hannah ia amar viver essa experiência que tive o privilégio de participar. E ainda teve o almoço delicioso na cabana, com todos os participantes.

Só para dar um pingo no i: ontem a governadora Ana Julia esteve aqui, inaugurando uma escola e algumas outras obras. Perguntei para alguns da comunidade o que eles falariam com a governadora, e eles (todos) disseram que ela deveria apoiar projetos como o da Estação porque ali sim eles viam o resultado concreto para a vida deles. Se há uma perspectiva que considera as ações de sustentabilidade mais uma forma de dominação simbólica das empresas, acho que a experiência da Estação é um caso mais complexo do que isso porque ali há um espaço democrático que visa ao protagonismo da comunidade.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O prazer e a dor das descobertas

O susto de desdobrir a emergência com que tenho q produzir o relatório técnico para o CNPq está passando aos poucos. Isso me fez partir para a escrita e também para algumas ações. Me filiei a ABERJE - Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, para monitorar o que há de mais recente no mundo da comunicação corporativa. E também decidi não participar do INTERCOM q será em Curitiba. Estou em dúvida se irei para o Sustentável 2009 em São Paulo em agosto, afinal este será na PUC-SP.

Também revi a bibligorafia inicialmente proposta e atualizei com alguns títulos encontrados no NAEA. Minha forma labiríntica de trabalhar na biblioteca, me dá um sentimento de perdição, pois são muitos os trabalhos voltados a explicação histórica da ocupação da Amazônia pelo grande capital internacional. Ao mesmo tempo, é doloroso descobrir os mecanismos que produziram a situação degradante em que vive boa parte da população amazônica e paraense. Os efeitos nefastos todos sentimos, mas quem engendrou esse processo não. Cabe perguntar então: quem são eles? onde eles estão? o que acham dos prejuizos sociais e ambientais que causaram? Acho que a Hannah e sua reflexão sobre a Banalidade do Mal é o que me alenta nesse processo de descobertas incômodas.

domingo, 7 de junho de 2009

Sobre o texto de M. C.Paoli, Empresas e Responsabilidade Social: os enredamentos da cidadania no Brasil

PARTE 1

Essse artigo da Maria Célia Paoli, da pós em Sociologia da USP é uma das minhas bases de apoio. Sobretudo pelo seu objetivo explícito: "avaliar os potenciais contra-hegemônicos da ação empresarial filantrópica remetido à idéia da recuperação do sentido político e público que Hannah Arendt sumarizou na idéia do agir político para um 'mundo comum'".

Os dois espaços que implicam essas ações:
1. "o espaço de origem da ação: o mundo empresarial"
2. "o espaço da política e da sociabilidade que ela cria, ou seja, a ampliação (ou anulação) da consciência e prática de direitos de cidadania"

"Desde os anos 1980, a palavra "cidadania", circulando como linguagem conotativa de civilidade e integração social, e portanto aparecendo como uma alternativa de segurança e ordem incapaz de ser fornecida pelos tradicionais modos autoritários e policiais de agir e de pensar sobre os problemas, gerou na opinião pública uma demanda por responsabilidade apenas secundariamente dirigida ao governo. De fato, esta demanda foi capturada através do apelo ao ativismo social voluntário da população, e a palavra "solidariedade" tornou-se, no senso comum, a disposição altruista voluntária de um indivíduo, uma organização ou uma empresa, um quase sinônimo de cidadania".

"Isso se dá no momento em que os governos dos anos 90 eram impelidos, pelo modelo econômico neoliberal adotado, a livrar-se do investimento em obrigações públicas de proteção e garantis eficazes dos direitos sociais."

"Desse quadro surge a assim chamada "sociedade civil" que, primeiramente através de movimentos sociais autônomos e politizados, e depois de organizações não-governamentais profissionalizadas, deslocou o ativismo político pela cidadania e justiça social para o ativismo civil voltado para a solidariedade. Se o caminho aberto pelos movimentos sociais era fortemente politizadoe implicava a demanda direta da população carente organizada por bens públicos, o caminho das ONGs opta por representar as demandas populares em negociações pragmáticas, tenicamente formuladas, com o sgovernos, dispensando a base ampliada da participação popular".