Mostrando postagens com marcador Sustentabilidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sustentabilidade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de julho de 2010

Compreender o problema de pesquisa

Estou participando da IAMCR 2010- Congresso Mundial de Comunicação, que se realiza na cidade de Braga, Portugal. Acho que essa babel de pesquisadores trouxe uma contribuição muito importante para esta pesquisa. Perceber que as questões relacionadas a Desenvolvimento, Comunicação, Participação, Esfera Pública, Mídia e Cidadania são questões fundamentais porque emergem em todos os grandes conflitos da era contemporânea.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Reflexão sobre o Mercado

O mercado é geralmente abordado em trabalhos acadêmicos como uma esfera uníssona, idealizado como o espaço de trocas atomizadas e meramente interessado em negociatas lucrativas. Esta pesquisa pretende abordar o mercado como um objeto multifacetado que demanda um olhar à história e à conjuntura que o engendra. Se a racionalidade do mercado é de outra ordem da racionalidade teórica reflexiva, e se os atores, os métodos e os fins mesmos de uma e de outra diferem, somente o enfrentamento da questão permitirá a elaboração de hipóteses sobre os limites da diferença. Talvez o maior desafio metodológico de um trabalho que tem a empresa Vale e seu discurso e prática da sustentabilidade por objeto seja o de testar a possibilidade do uso de paradigmas e instrumental mercadológico para pensá-la teoricamente, comprovando que não se tratam de raciocínios tão distintos que não possam ser acionados conjuntamente para efeito de uma análise.

(...)

Se olharmos de fora, o setor minerador e, especialmente, a Vale não podem ser sintetizados em uma única representação mental, seja imagética, seja discursiva, e talvez apenas a imagem da mina seja a mais mnemônica, posto que não há uma representação mais constante como, por exemplo, a tem a Petrobrás e suas recorrentes imagens das plataformas petrolíferas em alto mar ou seu majestoso prédio-sede no centro do Rio de Janeiro. A Vale, ao contrário, parece não querer divulgar ou cristalizar uma imagem da sede, do núcleo urbano ou da mina de Carajás pois é como se um dos paradigmas de sua comunicação seja justamente a sua pulverização imagética. Essa intencionalidade se deve, entre outros motivos, sobretudo às tensas relações que a companhia mantém, sobretudo, com os funcionários e grupos indígenas.

Por trás do que se “ouve falar” e das polêmicas que sempre envolvem a companhia há um setor produtivo, cuja atuação cotidiana obedece a critérios definidos historicamente, a ser analisado em seus determinantes econômicos e técnicos, seus discursos e suas estratégias, uma vez que o cenário urbano de Parauapebas resulta das disputas de sentido travadas pelos e nos discursos dos atores envolvidos nos processos engendrados pela relação entre a Vale e os stakeholders, mais especificamente no que tange os projetos de sustentabilidade, no qual há uma luta incessante pela hegemonia dos espaços de poder.

(...)

Pretende-se nesta pesquisa, propositadamente, enfatizar as “falas” dos atores que, em suas convergências e conflitos, desconstroem a idéia de um mercado como uma esfera “uníssona” ou transcendente. Ao mesmo tempo em que também visa a expor – sempre no sentido da crítica construtiva – as contradições e disputas de poder que acontecem na própria companhia pois dentro de uma empresa da dimensão da Vale, que lida com montantes expressivos de volume financeiro e recursos humanos, as divergências e disputas são bem maiores do que se tem notícia seja via grande imprensa, seja via trabalhos acadêmicos.

E como este trabalho é tributário da área da comunicação, não trataremos da relação da Vale com a população ou o Estado em Parauapebas, mas especificamente entre a companhia e o que ela nomeia de stakeholders (públicos envolvidos, partes interessadas), que são grupos restritos representativos dos grupos maiores nomeados de Acionistas, Colaboradores, Comunidades Indígenas, Comunidades do entorno, Poder Público, Mídia, Fornecedores. E dentre todos esses, focaremos mais especificamente os stakeholders abrangidos pelos seguinte projetos de sustentabilidade: Vale Alfabetizar, Escola de futebol, Escola que Vale e Estação de Conhecimento APA do Igarapé Gelado.

Retomando a questão inicial, caberia adaptá-la para: o que permeia essa abertura da empresa para o diálogo como os stakeholders? Parte-se então do discurso da companhia, impresso principalmente no seu relatório de sustentabilidade 2007 para o trabalho empírico de visitar e acompanhar o momento mesmo de atuação desses projetos para mapear a opinião de todos nele envolvidos e perceber como se desenvolve na prática as ações ditas “sustentáveis” da Vale em Paruapebas.

Entender esse espaço que a companhia abre para os seus stakeholders como portais de entrada para o implícito, para o que estrutura e produz essa mediação, a começar pelas relações, às vezes sutis, às vezes tensas, existentes entre os diferentes representante da empresa, do poder público e das comunidades é um de nossos mais caros objetivos.

A paisagem urbana de Parauapebas não é produto simplesmente de elaborações ou tramas maquiavélicas de capitalistas insensíveis que visam apenas ao lucro e à exploração da população. Tipos de capitalismo e de capitalistas e estratégias de investimento são fatores ligados à formação e à transformação das redes urbanas e dos espaços econômicos da cidade. Por trás delas – pelo menos nas economias de tipo liberal – encontram-se os agentes reais, elites mais ou menos enraizadas, detentoras do capital, do conhecimento ou capazes de inovações técnicas. É na estrutura social das cidades, mais do que na soma das suas funções, que se deveria procurar a base da organização territorial, através das mudanças históricas, desde a acumulação de renda ligada à posse da terra até à constituição dos territórios de sistemas simbólicos, como é o caso das intervenções da Vale.

Os processos que o produzem geram um espaço controverso de interesses dos stakeholders, ou seja, de todos os implicados no processo. Uma rede infinita de conflitos convive diariamente com a pressão pela sobrevivência, dada a imprevisibilidade dos fatores que norteiam a atividade. É bom lembrar que o lançamento de um projeto de sustentabilidade é sempre uma incógnita, sujeita a sucessos e fracassos. Ao mesmo tempo, é preciso pensar que o sujeito envolvido nesses projetos sociais da empresa não é mais um mero número estatístico de uma massa inqualificável e amorfa, mas um sujeito com capacidade crítica para dar outros significados aos estímulos simbólicos a ele proposto, a partir de seu uso e de sua experiência cotidiana.

domingo, 23 de agosto de 2009

Entre o Ideológico e o Político - Parte II

Dando sequência ao pensamento do primeiro post sobre as diferenças entre o ídeológico e o político, voltemos o foco para a ideologia que também persiste na célula central do capitalismo, que são as empresas. Quando Marx cunhou seu pensamento sobre ideologia, à época ele se referia justamente ao conservadorismo das burguesias industriais, a direita liberal que via no mercado o supremo regulador da economia. Hoje, é corrente no discurso empresarial uma certa repulsa a tudo o que eles consideram "ideológico", termo associado aos movimentos ditos de esquerda, sobretudo os movimentos sociais com posturas mais ativistas como o MST - Movimento dos Sem Terra. Ora, ao deslocar o "ideológico" apenas para organizações que são contrárias em alguma medida a forma de atuação das empresas, estas incorporam o discurso da eficiência técnica como parâmetro para suas decisões. Mas isso apenas acontece no nível discursivo, pois o que as empresas e os defensores da economia de mercado (políticos, ONGs, líderes de opinião, religiosos etc.) dissimulam é que, no fundo, a governança e o poder decisório está sempre à mercê dos interesses e objetivos nem sempre tão transparentes das corporações ou dos setores que atuam globalmente. Ou seja, essa crença na técnica com sua feição imparcial, detentora do conhecimento puro, capaz de distinguir cientificamente o que é melhor para um coletivo, também é uma ideologia pois brota da crença de que a administração ou a gestão dos desafios humanos (muitos, no plural) devem ficar a cargo de especialistas (poucos), que são investidos de legitimidade pelo discurso competente da ciência. para criar modelos técnicos que devem ser seguidos disciplinarmente por todos. Mas o mercado é um mar bem mais revolto do que outras dimensões sociais. Aqui há a concorrência, há uma corrida constante pela atualização tecnológica e há o consumidor: peça surpresa e cada vez mais importante nesse processo. Mesmo em setores cartelizados, onde o consumidor não adquiriu ainda os direitos mínimos necessários para uma relação comercial justa (como é o caso do setor de telefonia celular), o consumidor exige investimentos e pode provocar muitas dores de cabeça as empresas. A exigência por resultdos e produtividade torna o mercado um espaço onde a eficiência é e será sempre cobrada, agora ainda mais com a exigência da sustentabilidade das atividades. Hoje vista como um processo técnico na maioria das empresas, trata-se de um desafio próximo perceber se a sustentabilidade terá um viés mais ideológico ou político nas corporações. Se ela for encarcerada em preceitos técnicos, reduzida a um discurso fechado de propaganda, e cujo não cumprimento pode culpabilizar empregados, ela tenderá ao ideológico. Mas se as empresas forem capazes de realmente abrir o espaço para a discussão, onde argumentos claros visem a persuasão de todos os envolvidos no processo, os chamados stakholders, entendido como espaço de diálogo/conflito, espaço vivo de experiências, e a empresa tiver a ombridade de escutar e incorporar as críticas e sugestões em suas atividades, aí sim teremos uma aborgdagem política da sustentabilidade. Por enquanto, o que temos é ainda um processo embrionário nas empresas de de aprendizado. São modelos de gestão, hierarquias, hábitos e modos cristalizados de pensamento empresarial que estão sendo sacudidos por essa onda sustentável, hoje presente fortemente nas grandes empresas. E é delas que vêm exemplos significativos, pois como há ONGs e ONGs, Movimentos Sociais e Movimentos Sociais, há empresas e empresas, e a necessidade do bom exemplo, como Natura, Banco Real e Burti no caso do mercado brasileiro. O próprio Wal Mart, corporação global, sempre demonizado como a empresa mais representtvia da exploração capitalista, está tentando imprimir mudanças profundas em seus dogmas de gestão, no sentido de se tornar uma empresa "verde". E aqui é uma outra armadilha da sustentabilidade, a da balança que pesa apenas o ambiental, em nada ou pouco se preocupando com o social, muitas vezes confundindo-o com filantropia. E na Amazônia esse quadro fca ainda mais complexo, porque há mais riqueza, iteresses e visibilidade em jogo. De qualquer forma, é fato que a crença na hegemonia da técnica, que se caracteriza pelos procedimentos homogêneos de gestão (um exemplo disso é a área de Recrusos Humanos ou Gestão de Pessoas) é extremamente perigoso porque também é ideológico e não permite o pluralimso, o questionamento, a idéia contrária, em nome da imperiosa e lucrativa uniformização dos processos produtivos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Metodologia: Pesquisa de Campo_Roteiro de Diálogo

Embora vá abordar as pessoas diretamente envolvidas com alguns dos projetos de RSE da Vale, a idéia é tentar estabelecer um diálogo com as pessoas, que direta ou indiretamente envolvidas com eles, possam expressar um opinião representativa dos grupos aos quais pertencem.

Grupos importantes para pesquisa: funcionários, terceirizados, poder público, ONGs, movimentos sociais organizados e comunidades impactadas.

Projetos da Vale possiveis de serem pesquisados:
Sociais:
· Escola que Vale (Parauapebas)
· Educação nos Trilhos (Marabá, Parauapebas, Açailândia, Santa Inês, São Luis)
· Vale Juventude (Marabá e Parauapebas)
· Vale Alfabetizar (Canaã, Eldorado, Marabá e Parauapebas)


Ambientais:
· Estação Conhecimento da Área de Proteção Ambiental (APA) do Igarapé Gelado
· Floresta Nacional de Carajás
· Parque Zoobotânico de Carajás

Roteiro para o encontro com os envolvidos com esses projetos:

1. Apresentação
Esse encontro é parte integrante da pesquisa de Pós Doutorado de Ma. Conceição Golobovante, realizada no âmbito da pós-graduação em desenvolvimento sustentável do trópico úmido do NAEA-UFPA, com bolsa CNPq. A pesquisadora se compromete a divulgar as informações obtidas apenas para o meio acadêmico-universitário, mantendo em sigilo o nome dos interlocutores, caso este seja o desejo deles.

Interlocutor:
Nome:
Grau de Instrução:
Ocupação:
Idade:

Roteiro de Temas
- Amazônia
- Sustentabilidade
- Vale na Amazônia: histórico e relação
- Com qual projeto da Vale está envolvido?
- Que tipo de participação?
- O papel da comunicação nessa participação
- Opinião sobre o Projeto (conflitos e consensos)
- Sugestões

Metodologia: Pesquisa de Campo

A parte mais "empírica" se constitui basicamente de 4 procedimentos:

1 - Participação de eventos relacionados ao tema da pesquisa, dentre os quais eu destaco o Forum Social Mundial (realizado em janeiro em Belém), II Forum de Comunicação e Sustentabilidade (Maio em SP) e Intercom Sudeste (maio no RJ);

2 - Entrevistas realizadas com pessoas ligadas a Comunicação e/ou a Vale (fase incial, na qual eu destaco as entrevistas realizadas com o publicitário Pedro Galvão e com o jornalista Lucio Flavio Pinto).

3 - Viagens e permanência na região de Carajás, cidade de Parauapebas e serra. Essas viagens ainda não foram realizadas devido o excesso de chuvas na região. Esse contratempo meteorológico me fez rever as projeções da pesquisa, reduzindo de 4 para 3 visitas, segundo o cronograma que apresento a seguir. Na primeira viagem, observação etnográfica, reconhecimento de campo e primeiros contatos com os líderes e representantes da comunidade. Nas segunda e terceira, já com a permissão da cia., entrar na mina e poder entrevistar funcionários, terceirizados, representantes do poder público, líderes locais e comunidades envolvidas com os projetos de sustentabilidade, com vistas a elaborar o relatório final da pesquisa. Como a pesquisa não será quantitativa, não haverá um questionário formal a ser respondido. A proposta é a de um roteiro de diálogo, que abordará 3 tópicos para os entrevistados: Amazônia, Sustentabildiade e qual Solução eles propõem para os conflitos;

4 - Criação e manutenção deste blog, que relata informalmente o trajeto da pesquisa.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O resumo inicial, do projeto aprovado pelo CNPq

Título do Projeto:
A comunicação da responsabilidade socioambiental da Cia. Vale: do discurso midiático às práticas negociadas.

Local: cidade de Parauapebas, Estado do Pará – Amazônia


Resumo
Neste projeto buscar-se-á pesquisar em que medida as ações de Responsabilidade Socioambiental da Cia. Vale resumem-se ao discurso midiático ou se configuram, de fato, em intervenções que têm impactado e resignificado as relações empresa-sociedade, provocando uma lógica diferente da apropriação predatória que sempre norteou a ocupação do território amazônico. É sabido que a incorporação de práticas social e ambientalmente responsáveis pelas empresas não deslocou o foco das corporações do que sempre foi seu objetivo primeiro: o lucro financeiro. Antes, pelo contrário. No momento atual, percebe-se duas vogas que orientam decisivamente o movimento do capital global em relação a Amazônia: de locus infinito de exploração de riquezas (extrativismo de matéria prima) a floresta preservada passa a ser um ativo financeiro valorizado, e potencial fonte de lucro. Somado a isso, a cobertura midiática internacional influencia a opinião pública que pressiona empresas, governos e instituições a posturas mais responsáveis em relação a questão social e ambiental. As ações de responsabilidade passam então a ser valorizadas pelo capital financeiro internacional, e as corporações capitalistas são pressionadas a incorporarem os relatórios de sustentabilidade (orientados/certificados por instituições como GRI, ISO, Ethos, IBASE etc) em suas práticas cotidianas, o que exige das empresas mais transparência e abertura ao diálogo com todos os grupos impactados pelas suas atividades. A relação Capital-Amazônia-Comunicação envolve, assim, questões complexas e amplas que, no entanto, podem ser captadas por um ponto emblemático: a intervenção concreta das práticas socioambientais dessas empresas. Daí a necessidade de focar a investigação neste debate/conflito: mapear as intencionalidades, discussões e decisões que geram práticas negociadas e seus efeitos no habitat amazônico pelo viés das ciências da comunicação.

Palavras-Chave
Amazônia, Responsabilidade Social Empresarial (RSE), Comunicação, Mídia, Sustentabilidade

sexta-feira, 8 de maio de 2009

II Forum, encontro com ex-diretora da Comunicação da Vale

As falas e debates da tarde do 2o dia não foram tão interessantes quanto as da manhã. E não porque os palestrantes tivessem peso menor, ao contrário, foram estrelas do mundo ambiental como Mohan Munasinghe, do IPCC da ONU, a ex-ministra e atual senadora Marina Silva e o vice-prefeito de São Gabriel da Cachoeira, André Baniwa, além do jornalista Washington Novaes e da atual diretora da Diagonal e ex-diretora de comunicação da Vale, Olinta Cardoso, que compuseram uma mesa renomada e autorizada.

Confesso que meu interesse particular convergia para a fala da Olinta, por conta de minha pesquisa sobre a Vale, mas os dois primeiros palestrantes, Mohan Munasinghe e Marina da Silva, extrapolaram seus tempos, tendo sobrado menos de 10 minutos para a Olinta falar. Embora respeite as posições, importância e legitimidade do IPCC e das lutas ambientais, a tendência preservacionista per se pode e deve ser mais debatido. Por exemplo, quando a ex-ministra criticou a postura de algumas empresas que confundem preservação ambiental com propaganda, como "pintar algo de verde ou plantar árvore não muda nada porque é preciso mudar antes a narrativa. Porque narrativa não é propaganda. Propaganda é mentira, e narrativa é ressignificar os objetivos da empresa". Essa satanização da propaganda, muito presente no senso comum e também nesses discursos ambientalistas, sempre dificulta o diálogo porque comunicação também é propaganda. Enfim, no final, Marina da Silva foi de longe a mais aplaudida pois seu discurso foi também muito combativo. Depois o Washington Novaes fez uma densa palestra, repleta de dados importantes, até pela sua enorme bagagem em relação a questão. Mas falar próximo do fim do evento e depois de duas falas tão extensas, prejudicou um pouco o acompanha
mento do seu raciocinio.

Por fim a Olinta, como alguém que vem da Comunicação, falou em até menos de 10 minutos e foi capaz de resumir coisas muito importantes como: pensar a comunicação empresarial é repensar a consciência social econômica e ambiental da empresa. Que há vários vetores para a sustentabilidade, mas que é a perspectiva relacional a principal. E que a comunicar é lidar com a criação de significados e, nas empresas, é preciso rever quase tudo relacionado a comunicação. A ciência da comunicação sozinha não dá conta de entender esses processos, precisa buscar outros componentes das ciências sociais. E o principal, que é preciso conhecer a fundo a história, a cultura e os conflitos dos públicos que se relacionam com as empresas. Pena que ela não pode aprofundar, mas apenas citar alguns pontos. Ao final, consegui o seu contato e vou entrevistá-la.

Enfim, um último comentário sobre os mediadores. Dos que vi em ação, Mona Dorf, Merval Pereira, Ricardo Kotscho e André Trigueiro, apenas o Ricardo Kotscho foi capaz de realmente mediar, ser espirituoso e astuto em seus comentários, relaxando o ambiente e tornando o diálogo muito mais profícuo entre os palestrantes e entre eles e a platéia. Os outros, globais de bancada, poderiam ver e aprender um pouco com o Kotscho.

II Forum, manhã do 2o dia

O segundo dia do Forum comprovou a tendência do evento, muito mais tratando da sustentabildiade do que de comunicação. Abaixo, resumidamente, o que aconteceu:

Na abertura houve exibição de uma série de vídeos. O primeiro foi o do dossiê jovem MTV 2009. Como sempre, um vídeo muito bem editado e narrado. Depois vieram os videos dos patrocinadores (o do Bando do Brasil bem mais interessante do que o burocrático da Petrobrás). Em seguida houve uma exibição de um ótimo projeto do Instituto Elos - Guerreiros Sem Armas e sua intervenção no bairro do Paquetá em Santos. Fazia tempo que não via uma ação tão impactante, eles pegaram um área bem degradada do bairro, frequentada apenas por mendigos e vivados em drogas, e fizeram ações com voluntário do mundo todo que, em parceria coma comunidade, conseguiram transformar (não gosto do termo revitalizar) a área, limpando física e espiritualmente, reformarndo, pintando e o mais importante, fazendo a comunidade se reaprorpiar daquele espaço. Em pouco tempo eles conseguiram transformar muito (pena que o video não está no You Tube), mas vale a visita no site deles.

Pela manhã, a mesa foi composta por palestrantes da área politica e da educação, o que foi positivo para pensar as questões macro. Começou com a narrativa do confronto entre Católicos e Protestantes pelo ex-primeiro ministro da Irlanda, e como a comunicação ajudou aquele país a superar o conflito. Ele também não se furtou a pensar e problematizar a questão do Terrorismo como o avesso máximo da comunicação. Em seguida, o prof. dr. André Lazaro, representando o ministro da Educação Fernando Haddad, apresentou muitos dados sobre a educação no Brasil e reforçou que não se pode apenas jogar pedras no quadro educacional brasileiro pois, segundo ele, 97% das nossas crianças estão na escola, ou seja, 48 milhões delas têm escolaridade com acesso também a merenda, transporte, uniforme e material didático. Realmente não é pouco. Ao insistir que a qualidade virá também da quantidade, reforçou que é preciso haver menos partidarização e mais politização do debate. Não sei se foi impressão minha, mas vi um fundo arendtiano na fala dele. Houve também a fala idealista do representante da UNESCO Brasil, Vincent Defourny. Mas ele foi o primeiro a colocar 2 coisas importantes sobre comunicação. A primeira é a importância dos organismos de cooperação internacional que só se realizam pela comunicação, pois esta é a respiração das organizações e das sociedades. E também alertou para as três dimensões da comunicação: a sintática (abrir o canal), a semântica (pensar e discutir o sentido) e a pragmática (pôr em ação). Ele convidou todos a visitarem o site da UNESCO.

Os outros dois palestrantes são ótimos de oratória e suas palestras são sempre muito boas de ver, ouvir e reouvir. Os professores da área da educação Mario Sérgio Cortella e Terezinha Rios rechearam suas falas de ótimas citações e ironias, chegando a ser cartáticas e, por isso, muito persuasivas. Cortella finalizou sua fala citando Rabelais: "Conheço muitos que não puderam quando deviam porque não quiseram quando podiam". Foi ovacionado pela platéia (como de costume). E Terezinha, com sua fala mineira cheia de enrendamentos, pontuou a diferença entre o novo e o original, porque este não é a novidade mas aquilo que vai às origens, aos princípios de raiz. E da diferença entre a Moral, cuja questão é "O que devo fazer?", e a Ética que está mais relacionada as questões como "Que vida quero viver? E quais são as responsabilidades ligadas a essa escolha?". Mineiramente concisa e profunda, não sei se foi muito entendida pela platéia, mas com certeza, foram muito válidas as suas reflexões.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

II Forum de Comunicação e Sustentabilidade. Anhembi, SP.

O tom conciliador dominou o primeiro dia do II Forum. As palestras muito consensuais entre si atenderam (talvez) a expectativa de uma platéia dominada por estudantes universitários. A exceção ficou por conta do Ferrez, poeta e empresário, que se disse muito feliz de, pela primeira vez, ter sido convidado para uma palestra sobre sustentabilidade e não sobre pobreza, crime etc. Ao explicar toda a trajetória de criação e afirmação da sua marca de moda 1DASUL, ele ironizou paradigmas do marketing e as grandes marcas ("marca é ilusão, marca vende ilusão") ao que se considera negócio sustentável, que para ele é muito simples. Significa não ganhar dinheiro sozinho, mas fazer quem participa da produção ganhar também ("quem me ensinou a administrar foi o Dostoiévski"). Outros bons palestrantes do dia foram: - Flavio Comin, do PNUD-ONU, que expôs a metodologia que enfatiza a comunicação em todo o processo de produção e divulgação do Relatório de Desenvolvimento Humano (Brasil Ponto-a-Ponto), que tem a participação do Percival Caropreso, ex McCann e hoje diretor da Setor 2 1/2).
- Bernardo Toro da fundação Avina, que enfatizou a importância do cuidado e da conversação. O cuidado com o outro e com o que se fala, sabendo ouvir, respeitar, fazer perguntas pertinentes, exercitar e acreditar no diálogo.
- Danah Zohar, física e filósofa, que explicou as três concepções de inteligência. A tradicional (I think), a inteligência emocional (I feel) e a inteligência espiritual (I am), com seus 13 conselhos. O mais interessante foi quando ela citou dados da psicologia: 94% dos sentimentos que movem as pessoas são negativos (será que a inteligência espiritual, com sua abordagem quase naïve seria capaz de reverter esse dado tão forte?).

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Águas de Março


Gente, nem acreditei quando vi este anúncio da Vale nos jornais daqui, O Liberal e Diário do Pará. Tudo a ver com a minha pesquisa. Desculpe se ele está meio fora proporção mas foi a própria configuração do blog que mexeu. Aqui achei que minha pesquisa fosse deslanchar.
Mas março também foi o mês da formatura em direito de meu sobrinho Rafael, para a qual minha familia se mobilizava. Em Belém, uma colação em direito no Hangar tem um valor social quase sagrado. Eu, de minha parte, estava feliz por ele e porque minha irmã viria com seu marido e sogra dos EUA, onde vivem. Então, até o dia 11 de março, estive por conta da familia. Aí, no dia 9 minha internet da claro pifou e foi um balde de água fria pois ficar aqui sem net foi e ainda está sendo um exercicio. Isso me levou a vir direto pra UFPA (q finalmente retomou suas atividades), onde pude começar a frequentar a biblitoeca do NAEA. E no dia 14, sofri uma queda na escada e bati forte as costas, o que me deixou alguns dias com muita dor. Na pesquisa, continuei a acompanhar o que saia na midia sobre a Vale, as próprias news da Cia. (via site deles) e voltei a ler alguns de meus autores basilares: Arendt, Habermas, Paoli. Mas tudo muito fragmentado. E haja chuva por aqui.