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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Campanhas Ufanistas da Vale

O título Brasil Vale Ouro já dá o tom.



Vale põe crianças para chamar atenção para a conferência de Copenhagen



Neste filme, a idéia de mostrar crianças depondo a favor da Vale, e também como cidadãos do futuro a cobrar as decisões que deveriam ter saído de Copenhagen faz parte da estratégia de humanizar a imagem da companhia, cuja atividade fim (a mineração) deve permanecer invisivel aos olhos da população.

Se o video não aprecer, favor acessar direto no site do you tube: http://www.youtube.com/watch?v=PI0rHtYGFk0&feature=channel

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nova campanha da Vale é uma resposta a Lula

Justamente quando a mídia divulga uma certa "insatisfação" do presidente Lula com a postura da Vale durante a crise, por ter reduzido investimentos e ter demitido funcionários, não apenas o presidente da Vale, Roger Agnelli, foi a Brasilia conversar com o presidente, como lançou a campanha "Nuvens" em horário nobre da TV aberta. Em tom ufanista com a trilha da marchinha de Paulo Soledad "Estão voltando as flores", o comercial mostra os próximos investimentos da companhia e os empregos a serem gerados, uma espécie de resposta pública ao presidente, o que não deixa também de ser uma demonstração de força da cia.

Porto e Ferrovia


Siderúrgicas:


Navios:


Investimentos:

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O trem da Vale

Essa apresentação nos mostra o retrato do que é uma viagem na classe econômica no trem da Vale, que faz a linha entre São Luis - MA e Parauapebas-PA, chamando a nossa atenção para as contradições de postura da companhia.

Assista ao video clicando aqui e comente




quinta-feira, 30 de julho de 2009

Lucro da Vale despenca e a cobertura da mídia é tímida

O anúncio da queda do lucro da Vale no 2o trimestre de 2009 teve um destaque desigual entre os principais veículos desse país. Enquanto Globo.com e Estadão.com deram notas simples e logo as tiraram do destaque, em Belém apenas o portal ORM preproduziu a nota da Globo e o Diário do Pará nada deu. Incrível como uma nota denagtiva da companhia desapareça dos destaques em periodo de tempo tão curto. Apenas a Folha de São Paulo deu em chamada de capa do jornal impresso a notícia (edição de hoje, 30/7), que continua sendo destaque no site da Folha on line, mesmo passadas 24 horas do anúncio, o que na internet é quase uma eternidade. Então, fiquemos com a nota da Folha.

"Crise e real forte derrubam lucro da Vale".

Este resultado vem pior que a expectativa do mercado, pois o aumento no volume de vendas é anulado pela queda no preço do minério de ferro após crise.

Afetado pela redução do preço do minério de ferro e pelo câmbio, o lucro da Vale ficou em R$ 1,466 bilhão no segundo trimestre de 2009, queda de 81,5% na comparação com igual período de 2008 (R$ 7,9 bilhões), quando a economia global estava ainda aquecida. Foi o pior desempenho para tal período do ano desde 2003. Em relação ao lucro do primeiro trimestre (R$ 3,151 bilhões) deste ano, que já havia sido fraco por conta da crise, o lucro caiu 53,5%. O resultado surpreendeu negativamente os analistas, que esperavam lucro entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. As ações da Vale ampliaram suas perdas após o anúncio do balanço da empresa. No pregão normal, que fechou antes de o resultado ser conhecido, a ação PNA da Vale caiu 1,69%. Já no "after market" - operações realizadas após o encerramento normal do pregão -, as ações alcançaram baixa de 3,54%. Segundo a Vale, dois fatores determinaram o pior desempenho: a valorização do real e a queda dos preços do minério de ferro. Juntos, reduziram o faturamento em R$ 3,6 bilhões. De abril a junho, a receita da companhia caiu 41,7% na comparação com o mesmo período de 2008 e somou R$ 11 bilhões. A redução de 28,2% no preço minério de ferro, principal produto da Vale, anulou o crescimento do volume de vendas do produto - de 3,6%. Apesar de ainda não ter fechado contratos com grandes clientes, como siderúrgicas da China, a mineradora informou que contabilizou todo o efeito negativo da diminuição dos preços no segundo trimestre. Como a Vale exporta quase 85% do que produz, a maior parte do seu faturamento é em dólar. Ao converter essa receita em reais, ela encolhe dada a valorização cambial - o real se valorizou em 16% ante o dólar no segundo trimestre. A variação cambial também obrigou a Vale a pagar mais Imposto de Renda. Só a despesa com o tributo cresceu R$ 2,3 bilhões. Desse modo, o câmbio e os preços mais baixos impediram que a Vale se beneficiasse da ainda tímida reação do mercado global, que consumiu mais ferro no segundo trimestre. A recuperação foi liderada pela China - cujas importações de minério de ferro cresceram 29% no primeiro semestre deste ano. No Brasil, as vendas também cresceram: 23% no segundo trimestre. Já os aumentos do cobre (30%) e do níquel (50%) no segundo trimestre geraram impacto positivo de R$ 431 milhões no faturamento.

Dívida
Apesar da expectativa de que a valorização do real reduzisse as despesas com dívidas, a Vale viu seu endividamento crescer: a dívida líquida subiu de R$ 6,2 bilhões no segundo trimestre de 2009 para R$ 8,3 bilhões no segundo trimestre deste ano. A empresa não informou os motivos no balanço. (PEDRO SOARES)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Diário de Parauapebas: semana decisiva para a pesquisa

Sexta/03 - Comecei a organizar o material coletado e também a arrumar as coisas para a viagem de volta, amanhã. Fui ao cyber atualizar o Lattes do CNPq, e tb tentar, mais uma vez, tentar resolver com o suporte a questão do formulário. Eles não responderam ainda. Respondi então vários emails, gerenciei a obra de SP, fui almoçar com minha prima e depois peguei a Cristiane para subirmos para Carajás. Lá, fui ao banco e a farmácia, resolver coisas cotidianas, quando me deparei com três índios xicrin. Sem pensar muito, perguntei a eles se eles eram Xicrin e se eles queriam carona para ir para a Chácara deles, que fica próxima ao aeroporto. ELes toparam e lá fomos nós, eles eram dois homens entre 25 e 30 anos e havia uma mulher de uns 20 e poucos anos com um bebê de colo. Ela não fla português e tb não fala com a gente. Tentei ser simpática, mas eles foram reticentes. Achei por bem não pedir pra fazer foto, nem fazer muita pergunta. Eles foram quietos no banco, exceto quando um deles pediu pra eu aumentar o volume do rádio. Não houve pro favor nem obrigada, mas foi muito bom partilhar aquele breve momento com eles e poder conhecer onde fica a casa deles.

Quinta/02 - Acordei cedo e decidi ir atrás das pessoas da comunidade Nova Vida. Lá soube do projeto da Escolinha de Futebol. Fui até lá e foi ótimo conhecer o espaço e conversar com o Mauricio, coordenador. Um projeto q hoje atende mais de 1400 meninos entre 8 e 20 anos, oferecendo treino e capacitação, possivel com os recurso do FUNDICAP, mantido pela Vale e administrado pelo CONDICAP - Conselho de Defesa da Criança e Adolescente, em parceria com a agora recém-criada Secretaria Muicipal dos Esportes. Tentei falar na SEMED com a moça responsável pelo Vale Juventude, mas ela já havia saido de férias.

Quarta/01 - A FAPESPA ligou cedo me cobrando os pareceres de alguns projetos de que sou avaliadora. Fiquei um pouco irritada pois estou há uma semana tentando acessar minha área restrita e não consigo. Como já estava irritada com o CNPq q não é capaz de me dar um retorno sobre o formulário de prorrogação, decidi vir para o Cyber fazer os pareceres e esquecer um pouco o CNPq. Agora à tarde, vou procurar a moça do CEDAc q a Sandra comentou ontem. Fui lá e ela não estava. Voltei à tarde e ela tb não estava. Decidi procurar o CEDAC na próxima viagem.

Terça/30 - Acordei cedo e novamente fui levar minha prima na secretaria municipal de saúde. Lá, achei q tivesse esquecido a chave de casa, e aí fui procurar a Cristianne, amiga que divide a casa com minha prima, e trabalha na Sec. Mun. de Assistência Social. Chegando lá, foi um choque ver a multidão que queria se recadastrar no Bolsa Familia, pois hj parece q é o ultimo dia. Procurei-a por todos os lados e como não a encontrei, dei uma olhada de novo na bolsa, e, como um milagre, lá estava a chave. Graças. Daí, fui pra casa, tomei banho e arrumei as coisas para vir para a SEMED. Pela manhã, fiz uma longa entrevista com equipe da Vale Alfabetizar, e a Simone Vilhena, coordenadora, me deu muitas infos importantes para a pesquisa. Fiquei feliz com o resultado. À tarde, encontrei a Sandra, coordenadora do programa Escola que Vale pela SEMED. Foi ótimo conversar com ela e descobrir todas as iniciativas do programa. Dei sorte pois ontem foi o último dia útil delas todas, pois as férias chegaram e eu só não consegui falar foi com a moça do Vale Juventude. NO cmainho apra casa, aproveitei para conhecer a Casa do professor, que fica na rua D, N. 629. É realmente um espaço bem interessante, onde vc vê o resultado das inciativas. À noite, fui a Canaã dos Carajás, cidade que fica a uns 55 km de Peba. A estarada é um tapete, pois é mantida pela Vale. Fico lembrando da estrada de Marabá pra cá e vejo que o problema maiso não são as ções mas a falta delas.

Segunda/29 - Qdo acordei, percebi logo q a bendita voltara com tudo. Mesmo assim, decidi levar minha prima para o trabalho bem cedo, 7h30. De lá, fui ao otorrino. Lá me disseram q tinha q pedir autorização da Unimed. Rodei um pouco pra achar e qdo achei, descobri q meu plano só atende Belém e algumas cidades. Fiquei chateada com a Unimed e isso me fez desistir do otorrino. Decidi então ir a SEMED - Secretaria Municipal de Educação buscar infos sobre projetos da Vale. Descobri o Vale Alfabetizar, mas a coordenadora só estaria na 3a pela manhã. Decidi ir almoçar, e à tarde, fui a comunidade de Palmares II. Lá fui direto a Escola "Crescendo na Prática", onde conversei com uma liderança do MST. Foi ótimo conversar com ele para saber o histórico e o atual momento da comunidade que começou como um assentamento. Percebi a importância, para eles, de ter alguém do PT no comando da prefeitura. Passei no supermercado e vim pra casa, tentar organizar o pensamento. A labirintite voltou forte.

Domingo/28 - Acordei bem mal e decidi ir ao hospital. Fui medicada e aconselhada a procurar um otorrino. O médico passou um coquetel intravenoso e uma medicação para tontura. Fez um calor insuportável. Dormi e acordei no meio da tarde. Minha prima tinha feito um fígado bem passadinho q eu almocei e depois dormi de novo. Os gritos do jogo do Brasil me acordaram e no final da tarde fomos ao centro espírita. Me senti tão bem lá q achei q a labirintite tivesse ido embora de vez. Dormi super bem.

Sábado/27 - Acordamos cedissimo para deixar Isaias na Rodoviária pois ele só veio para me acompanhar nessa longa viagem. E foi ótimo, porque ele conhecia o caminho e os macetes da estrada. Depois, voltamos para casa, fizemos uma arrumação e fomos almoçar. De lá, subi a serra com minha prima Ana, e foi muito bom conhecer tudo com ela. Tirei algumas fotos, e conheci o parque zoô botânico da Vale. É realmente um lugar que não existe, parece a ilha da fantasia. Na volta, a labirintite veio com tudo e eu dormi cedo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Versão para Tradução_Novos Título e Objetivos

Hoje foi um dia estranho. Amanheci mto gripada mas com a pressão sobre a cabeça de refazer o projeto para traduzi-lo para o inglês. Uma boa surpresa foi reencontrar o quadro do relatório de sustentabilidade da Vale que mostra todos os públicos que a cia. considera mais importantes e os canais de comunicação utilizados. Isso me fez sistematizar melhor a metodologia e objetivos do trabalho.

Novo Título:
A Amazônia e o Pacto Possível.
A comunicação e as práticas negociadas das ações de sustentabilidade da Cia. Vale na região de Carajás - Pará.

Ações de sustentabilidade social e ambiental da companhia Vale, possíveis de serem pesquisadas:
Sociais:
· Escola que Vale (Parauapebas)
· Educação nos Trilhos (Marabá, Parauapebas)
· Vale Juventude (Marabá e Parauapebas)
· Vale Alfabetizar (Marabá e Parauapebas)
Ambientais:
· Floresta Nacional de Carajás
· Parque Zoobotânico de Carajás

Objetivos Gerais
  • Mapear os públicos diretamente e indiretamente impactados por essas ações, de dentro e de fora da cia., identificando nomes, funções e relações que essas pessoas estabelecem com a cia. e com o território em função das ações de sustentabilidade;
  • Mapear a opinião deles acerca das ações de sustentabilidade, da comunicação com a cia. e do território amazônico;
  • Construir uma reflexão teórica acerca dos conceitos de (In) Comunicação, Opinião Pública, Públicos e Persuasão verificando se as situações de comunicação verificadas em campo chegam a se constituir um espaço plural de debate e de ação, ou seja, a vida activa no sentido harendtiano do termo.
  • Diagnosticados as opiniões e imaginários, incentivar processos comunicativos no sentido da democratização das informações acerca do que significa sustentabildiade em um ambiente em que os valores, racionalidades e interesses são diversos daqueles onde esses conceitos foram gerados, inclusive, propondo uma contra-comunicação dos saberes locais, que já eram historicamente sustentáveis antes de todas as tentativas, públicas e privadas, de intervenção, ocupação e desenvolvimento do território amazônico[1].

    Objetivos Especificos
  • Pesquisar a história da cia. Vale, do ponto de vista cronológico linear, e também identificar os momentos mais importantes dessa história, provocados por influências de poderes internos e externos, seja dos governos nacional e internacionais, como dos movimentos do capital global que determinou ações importantes como a privatização da Cia. em 1997.
  • Pesquisar a história da exploração mineral no Pará, identificando seus principais momentos e atores, assim como a crescente institucionalização do segmento por meio de organizações como IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração.
  • Pesquisar a política de comunicação da companhia, identificando seus principais parceiros e fornecedores no Estado do Pará (Agências, Veículos, Assessorias, Consultorias etc.)
  • Realizar a aproximação junto aos departamentos gestores das políticas de sustentabilidade e comunicação da Vale para solicitar autorização para entrevistar seus funcionários, no sentido de mapear os responsáveis e objetivos dos projetos, atuações, formas de divulgação e relacionamento com os stakeholders, em especial as comunidades; além de compreender os mecanismos de construção do discurso persuasivo da Vale e como os relatórios de sustentabilidade se inserem no processo;
  • Nas entrevistas, mapear a percepção (opinião, imaginário) dos atores envolvidos do que se nomeia atualmente de Amazônia Sustentável, investigando inclusive o que serviu de referência para eles construírem essa opinião/imaginário;

sexta-feira, 5 de junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

História da Vale pode ser dividida em 6 periodos caracteristicos

1942-1962
Processo de crescimento, marcado pelo saneamento da empresa e expansão de mercado. Restrição espacial ao eixo Vitória-Minas e a verticalização manteve-se restrita as variações do produto final minério de ferro.

1962-1967
Marcado pela reforma administrativa. Processo embrionário de diversificação das atividades, com a criação da Floresta Rio Doce S.A.

1967-1975
Esforços de diversificação e início da expansão da CVRD para a Amazônia.

1975-1985
Consolidação da diversificação e expansão da Cia. na Amazônia, sobretudo pela implantação do Projeto Grande Carajás e a construção da Estrada de Ferro Carajás.

1985-1997
Fortalecimento da CVRD na Amazônia (Carajás, Barcarena e Paragominas), enxugamento do quadro decisório, implantação da terceirização e discussão em torno da privatização.

1997-2009
Privatizada, a Vale passa a ser controlada pelo Consórcio Brasil (no inicio comandado pela CSN), mas logo depois, formalmente comandada pelos fundos Bradespar (do Bradesco) e fundos de pensão Previ e Petros que assumem a frente do negócio, expandindo a Vale para o mundo, tornando-a uma empresa global, que pautada na eficiência, gera lucros inéditos aos seus acionistas.

O Outro Lado da Privatização da Vale

Entre 1969 e 1979, as vendas da CVRD ao exterior cresceram 285% e a empresa se consolidou como a maior exportadora de minério de ferro do mundo, posição que ocupa até hoje. Em 1985, colocou em operação o projeto Ferro Carajás, iniciando a exploração de reservas de 18 bilhões de toneladas de ferro no sul do Estado do Pará.

A História da Privatização
Em 1993, a Fundação Getúlio Vargas classificou a Vale como a primeira empresa no ranking nacional. Dois anos depois, em 1995, Fernando Henrique Cardoso incluiu a CVRD no Programa Nacional de Desestatização. Dois bancos estrangeiros avaliaram em R$ 10,36 bilhões as ações da CVRD, mas não consideraram o potencial das reservas minerais em poder da empresa. Embora sempre tivesse operado com balanço positivo, batendo seguidos recordes de produção e faturamento, a empresa foi privatizada em 7 de maio de 1997 pelo governo de FHC, tendo sido comprada por um consórcio liderado pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), que adquiriu 41,73% das ações ordinárias do governo federal por US$ 3,338 bilhões.

Resultado: este Consórcio Brasil, formado pela Companhia Siderúrgica Nacional, a Bradespar (do grupo Bradesco) e o fundo de investimentos Previ, arrematou 41,73% das ações por R$ 3,3 bilhões, o suficiente para assumir o controle da empresa. Ficou no ar a sensação de que foi um jogo de cartas marcadas.

Em 2003, a Vale apresentou o maior lucro líquido de sua história: R$ 4,5 bilhões, recuperando em um ano o valor pago no leilão de privatização. No mesmo ano, também houve um salto na desnacionalização da empresa, já que 67% dos negócios com as ações da Vale foram realizados na Bolsa de Nova York, contra 33% realizados no Brasil.

Também em janeiro de 2003, o valor da empresa superava a barreira dos US$ 100 bilhões. Em dez anos ele se multiplicou por dez, demonstrando que o preço do leilão foi inferior e o mercado fez o ajuste ao valor real.Ficou de fora do preço mínimo da empresa um conglomerado com cerca de 60 empresas, incluindo a infra-estrutura ferroviária, com nove mil quilômetros de malha ferroviária e vários terminais portuários. Também ficaram de fora do valor da Vale suas participações em empresas como Usiminas, Açominas, CSN e outras. Também não entrou na avaliação o grosso das reservas minerais da empresa. A CVRD informou à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, em 1995, números rebaixados das suas reservas totais de minério, com a intenção de diminuir o valor da empresa. As reservas totais de minério de ferro, ao invés de três bilhões de toneladas, alcançavam 19 bilhões de toneladas. As reservas de potássio, ao invés das quatro, eram de fato 19 milhões de toneladas. As reservas de manganês, ao invés das 30, eram na verdade 63 milhões de toneladas. As reservas de bauxita, ao invés das 197, eram de fato 303 milhões de toneladas.Sem considerar a produção de ouro, platina, cobalto, níquel, nióbio, quartzo, titânio, calcário, fosfato, zinco, cassiterita, entre outros, as reservas provadas da Vale teriam, nos preços de hoje, um valor aproximado de US$ 215 bilhões. Mas elas não foram computadas no valor da empresa quando privatizada.Por que os dois bancos responsáveis pela avaliação da CVRD, o Bradesco e o Merril Lynch, não incorporaram o valor total da CVRD? Muito simples: o Bradesco se tornou co-proprietário da Vale privatizada. É como colocar o lobo cuidando do galinheiro. Esta irregularidade já seria suficiente para anular o leilão de privatização da Vale. A lei de licitação para a venda da empresa define que não pode haver nenhum vínculo entre o avaliador e o comprador. O Bradesco era dono de 17,9% do capital votante da CSN, empresa que liderou a compra da Vale. O banco participou, a partir do ano 2000, do bloco controlador da Vale, através do Bradespar.

Passados quase dez anos, ainda hoje críticos insistem que a Vale foi vendida abaixo de seu valor real. Foi pedida a revogação do processo de privatização em mais de 100 ações, algumas ainda em trâmite na Justiça. As chances de vitória para os acusadores são consideradas mínimas por especialistas.


Autor: Nazareno Godeiro, de Belo Horizonte (MG).
Fonte: jornal Opinião Socialista do PSTU (Partido Socialistas dos Trabalhadores Unificado). Edição nº 310 De 16 a 22 de agosto de 2007
(http://www.pstu.org.br/jornal_materia.asp?id=7261&ida=0)

Cronologia Resumida da Vale (com os fatos mais importantes desde sua criação, segundo a própria Cia.)

OBS.: todas as ações mais diretamente ligadas ao tema do pós-doc estão grifadas em vermelho.

Em 1° de junho de 1942, Getúlio Vargas publicava o Decreto 4.352 que encampava as Companhias Brasileira de Mineração e Siderurgia S.A. e Itabira de Mineração S.A. para criar a Companhia Vale do Rio Doce, com o propósito de explorar as jazidas da região de Itabira, bem como garantir o suprimento de ferro . E em 11 de janeiro de 1943 reuniu-se a assembléia de acionistas, que aprovou os estatutos da empresa fixando a sede administrativa em Itabira (MG) e o domicílio jurídico no Rio de Janeiro (RJ). Da sua sede em Itabira (em tupi, pedra que brilha), talvez por ironia, terra do grande poeta Carlos Drummond de Andrade (1902–1987), que a descreveu como cidade que tem "noventa por cento de ferro nas calçadas; oitenta por cento de ferro nas almas" partia ferro para abastecer a nascente Companhia Siderúrgica Nacional. Israel Pinheiro foi eleito o primeiro presidente da empresa.

Já em 1949, a Vale é responsável por 80% das exportações brasileiras de minério de ferro. Neste mesmo ano, criou-se o Centro de Estudos Ferroviários em Vitória (ES), sob orientação de Eliezer Batista da Silva.
No início da década de 1950 o Governo brasileiro assume o controle definitivo do sistema operacional da Vale. É realizado o primeiro embarque de minério de ferro para o Japão. Depois de montar um complexo mina-ferrovia-porto, em 1951, a estatal exportou seu primeiro 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro. Seguiu-se uma década de política de comercialização agressiva, que a transformou numa exportadora de peso mundial.
Em 1960 foi criada a Companhia Siderúrgica Vatu, primeira subsidiária da Vale para o beneficiamento de minérios, fabricação e comercialização de ferro-esponja.
Em 1962, foram assinados contratos de longo prazo com siderúrgicas japonesas e usinas alemãs. Em 2 de outubro, é criada a subsidiária Vale do Rio Doce Navegação S.A. (Docenave).
Em 1966, inauguração do Porto de Tubarão, em Vitória (ES).
Em 1967, geólogos da cia. Meridional de Mineração, subsidiária da United States Steel Corp., constatam a ocorrência de minério de ferro em Carajás (PA).
Em 1970, acordo torna a Vale sócia majoritária do empreendimento de Carajás (PA), junto com a US Steel Co.
Em 7 de julho de 1971, é fundada a Rio Doce Geologia e Mineração S.A. (Docegeo), subsidiária integral da Vale, com o objetivo de realizar pesquisas e lavra de minério.
Em 1972, Vale e US Steel constituem a Valuec Serviços Técnicos, para analisar a viabilidade do Projeto Carajás. E Vale firma convênio com a Alcan Aluminiun Ltd., do Canadá, para um projeto de exploração de bauxita na região do Rio Trombetas.
A Vale se torna a maior exportadora de minério de ferro do mundo, detentora de 16% do mercado transoceânico do minério em 1974.
Em 1975, pela primeira vez, a Vale lança debêntures no mercado internacional, no valor de 70 milhões de marcos, com intermediação do Dresdner Bank.
Em 1976, o Decreto nº 77.608 outorga à Vale a concessão para construção, uso e exploração da estrada de ferro entre Carajás (PA) e São Luís (MA).
Em 1977, Vale anuncia prioridade ao Projeto Carajás, para, a partir de 1982, iniciar a exportação do minério de ferro pelo Porto de Itaqui (MA).
Em 1978, Projeto Carajás é reformulado e reduzido a dimensões mais modestas em vista da queda da demanda mundial por minério de ferro. Início da construção da Estrada de Ferro Carajás (EFC).
Em 1979, início efetivo da implantação do Projeto Ferro Carajás, adotado como principal meta da estratégia empresarial da Vale

1980
- Governo Federal aprova o Projeto Ferro Carajás e dá o aval financeiro.
- Vale incorpora a Amazônia Mineração (Amza), criando a Superintendência de Implantação do Projeto Ferro Carajás (Sumip).
- Constituição do Conselho Técnico de Ecologia (Geamam), composto por cientistas das universidades brasileiras.

1985
- Em 28 de fevereiro, a empreiteira Rodominas entrega a Estrada de Ferro Carajás (EFC) à Vale. - Inauguração do Pojeto Ferro Carajás, que aumenta a capacidade produtiva da empresa, agora estruturada em dois sistemas logísticos distintos (norte e sul).

1986
- Início da operação do terminal portuário de ponta da madeira, em São Luís (MA).

1988
- Vale elimina o uso de carvão vegetal de florestas nativas e alcança auto-suficiência do material a partir de florestas plantadas.

1989
- Vale elabora Plano Estratégico 1989-2000, com foco na internacionalização.
- Implantação do Programa de Participações nos Resultados (PR) para os empregados da Vale.

1992
- Apresentação do primeiro projeto de desenvolvimento sustentável do país, o Projeto Pólos Florestais, na Conferência ECO 92, no Rio de Janeiro (RJ).

1993
- O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas classifica a Vale como a primeira empresa no ranking nacional.

1994
- Em março, a Vale lança seu programa de american depositary receipts (ADR), negociáveis no mercado de balcão dos estados unidos sob o código CVROY.

1995
- A Vale é incluída no programa nacional de desestatização pelo decreto n° 1.510, de 1º de junho, assinado pelo presidente da república, Fernando Henrique Cardoso.

1996
- Em 10 de outubro, o conselho nacional de desestatização (CND) aprova o modelo de desestatização da Vale.

1997
- O Ministro do Planejamento, Antônio Kandir, anuncia, em 22 de janeiro, que o leilão de venda do controle acionário da Vale ocorrerá em abril.
- BNDES divulga, em 6 de março, o edital de privatização da vale.
- BNDES lança cartilha sobre a privatização da vale.
- Em 6 de maio, a Vale é privatizada em leilão realizado na bolsa de valores do Rio de Janeiro
- Participaram do leilão o consórcio Valecom, articulado pelo grupo Votorantim, e o consórcio Brasil, liderado pela CSN.
- O Consórcio Brasil arremata 41,73% das ações ordinárias da vale por r$ 3.338 milhões em moeda corrente.
- Em 12 de maio, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, é nomeado, em assembléia geral de acionistas, presidente do conselho de administração da Vale.
- Jair Bilachi, da previ, é o vice-presidente.

1998
- No primeiro ano após a privatização, a vale atinge crescimento de 46% no lucro em relação a 96.
- Lançado o programa "de volta para o futuro", de apoio à educação formal, para propiciar o primeiro grau completo a todos os empregados da Vale.

1999
- Vale tem o maior lucro de sua história: r$ 1,251 bilhão.

2000
- Vale produz 119,7 milhões de toneladas de minério de ferro, um recorde histórico.

2001
- 29 de março: lançado o banco de dados do projeto Vale Memória, no Rio de Janeiro, idealizado e produzido pelo Museu da Pessoa.
- Março: efetivado o descruzamento das participações acionárias envolvendo a Vale e a CSN.

2002
- Março: inaugurada oficialmente a usina de pelotização de São Luís (MA).
- 2 de maio: o presidente Fernando Henrique Cardoso lança a pedra fundamental do projeto de Cobre do Sossego (PA).
- Julho: mês do aniversário de 35 anos de operação de Carajás, Vale atinge recorde na produção de minério de ferro, 5 milhões de toneladas.

2003
- 16 de janeiro: a Vale anuncia parceria com a Mitsui, empresa japonesa da área de logística, para negócio de transporte intermodal.
- 31 de março: a Vale compra 50% das ações da Caemi mineração e metalurgia s. a. (Caemi) por US$ 426,4 milhões.
- Durante o ano: 67% dos negócios com as ações da Vale foram realizados na bolsa de Nova York, contra 33% realizados na Bovespa, no Brasil, nenhuma empresa desenvolveu tantos projetos como a Vale, que reforça sua posição de maior investidora privada do país, ao aplicar US$ 1,988 bilhão em 2003.

2004
- 5 de janeiro: as ações da Vale atingem recorde histórico de rendimento. Com isso, a empresa alcança valor superior a R$ 23 bilhões no mercado.
- 2 de julho: inaugurada a Mina do Sossego, a primeira mina de cobre do Brasil, no Pará. O projeto, realizado em tempo recorde, teve 73% de sua mão-de-obra local. A previsão é que, em 2010, os projetos de cobre da Vale já estejam produzindo 650 mil toneladas anuais.
- Novembro: a Vale atinge o valor de mercado de us$ 25 bilhões..

2005
- A empresa foi escolhida por analistas de investimento, pela terceira vez consecutiva, em pesquisa realizada, pela conceituada revista Institutional Investor, como a empresa que possui a melhor governança corporativa na indústria de mineração e metais da América Latina.
- Em 22 de setembro acontece o lançamento do Vale Investir, programa que permite aos investidores brasileiros reinvestir automaticamente os recursos recebidos provenientes da remuneração aos acionistas – dividendos e/ou juros sobre o capital próprio – na compra de ações da empresa.
- Vale registra recorde histórico na produção de minério de ferro, alcançando a marca de 240,413 milhões de toneladas, 10,3% acima do volume produzido em 2004, 218,010 milhões de toneladas.
- A empresa consolida seu ingresso na indústria de concentrado de cobre, com o primeiro ano integral de operação da Mina do Sossego e vendas para 13 clientes em 11 diferentes países. a produção do Sossego ultrapassa, em 2005, a barreira das 100 mil toneladas de cobre em concentrado, totalizando 107 mil toneladas.
- Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE) concede à Vale, no dia 8/12, o prêmio ABERJE nacional de melhor empresa de comunicação do ano nas categorias eventos especiais, vídeo de comunicação externa, e-news interna, relacionamento com comunidade e internet, além de 19 prêmios regionais, em diversas categorias.
- Centro de formação e qualificação profissional foi destaque pelo programa de trainees, denominado programa caça-talentos. Durante 11 meses, sob a orientação de um executivo da empresa, 150 jovens recém-graduados participaram de um programa de formação teórica e prática.
- A Vale foi premiada, neste ano, pela revista biodiversidade e pelo trabalho de pesquisa desenvolvido com o instituto ambiental Vale do Rio Doce - IAVRD.

2006
- 4 de janeiro: a usina hidrelétrica de Aimorés entra em regime de operação comercial plena, gerando 140mw para o sistema elétrico brasileiro.
- 5 de junho: a Vale conquista dois prêmios pela International Association of Business Comunicators - IABC, nas categorias comunicação com empregados e publicação.

2007
- 25 de maio: foi protocolado o prospecto preliminar junto à comissão de valores mobiliários (CVM), referente à oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias de emissão de nossa subsidiária Log-In Logística Intermodal s/a.
- 24 de setembro: foi anunciado o plantio de 346 milhões de árvores até 2010, o que corresponde ao maior projeto de revegetação e preservação ambiental da América Latina.
- 25 de outubro: anunciamos investimentos de us$ 11 bilhões para 2008 – o maior programa já anunciado por uma mineradora no mundo.

- Lançamento da campnha mudial com o novo Logo e Nome da Vale

2009
22 de maio A Vale informa que a proposta de mudança de seu nome legal para Vale S.A. de Companhia Vale do Rio Doce foi aprovada hoje na Assembléia Geral Extraordinária.

Fonte: site da cia. e suas subsidiárias. A cronologia no site se encerra em 2007 ( apenas a nota da mudança do nome legal foi acrescentada) . Assim que eles atualizarem o biênio 2008-2009, também o farei aqui.

O embrião da Vale

A história do surgimento da Vale está intimamente ligada à história do Estado de Minas Gerais e à construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas (CEFVM), iniciada em 1903. Poucos anos depois o recém-criado Serviço Geológico e Mnieralógico do Brasil revelou a existência de grandes jazidas de ferro na região de Itabira. Os engenheiros ingleses envolvidos no projeto de construção consultaram a CEFVM sobre a possibilidade do minério extraído ser transportado pela ferrovia. Afirmado o contrato e fixado o preço, esse grupo e alguns investidores internacionais fundaram o Brazilian Hematite Syndicate, que já em 1909 optou adquiriu a maioria das ações da CEFVM e extensas glebas de terra próximas a Itabira.

Em 1910, no XI Congresso Geológico e Mineralógico, realizado em Estocolmo, na Suécia essas reservas foram estimadas em 2 bilhões de toneladas métricas. No mesmo ano foram esboçados os primeiros projetos de levar a ferrovia até Itabira (MG). Com dificuldades ela foi avançando no sentido da cidade mineira de Diamantina. Em 16 de junho de 1911, através do decreto No 8787, o governo brasileiro autorizou o funcionamento no país da Itabira Iron Ore Company, empresa organizada pelo grupo inglês Brazilian Hematite Syndicate para operar o processo de exploração e exportação de minério de ferro das jazidas de Itabira, então administrada pelo empresário norteamericano Percival Farquhar.

Farquhar pretendia extrair o minério de ferro de Itabira para exportá-lo - ao ritmo de cerca de 10 milhões de toneladas/ano - através de Santa Cruz, ES, onde construiria uma pequena usina siderúrgica (com capacidade de 150 mil toneladas/ano), capaz de produzir materiais siderúrgicos mais básicos tais como trilhos, perfis, chapas grossas e vigas. Navios do Sindicato Farquhar levariam o minério de ferro aos países industrializados e retornariam carregados de carvão mineral, oriundo dos Estados Unidos e da Europa, suprindo assim a ausência desse insumo essencial no Brasil.

Esse ousado e gigantesco projeto, orçado em 80 milhões de dólares, obteve toda a simpatia do presidente da república Epitácio Pessoa, que assinou o famoso Contrato Itabira de 1920. Imediatamente Farquhar passaria a sofrer uma feroz oposição de Arthur Bernardes, presidente do Estado, então quase autônomo, de Minas Gerais.

Farquhar sofre seu primeiro revés quando Arthur Bernardes se torna Presidente da República, em 1922, e promulga uma lei que taxava em 3 mil réis por tonelada o minério de ferro que fosse exportado em bruto, inviabilizando assim o negócio.

Em 1930 Getúlio Vargas, de forte discurso e tendência nacionalista, contando com o apoio dos tenentes, assume o poder no Brasil à frente da revolução de 30. Em 1935, o governo de Getúlio Vargas enfrenta os interesses da poderosa Itabira Iron Ore encampando a Estrada de Ferro Vitória a Minas. Sete anos depois é outorgada uma nova constituição para o Estado Novo, determinando que a exploração das jazidas minerais no Brasil passe a depender de prévia concessão do governo federal, a qual só poderá ser outorgada a empresas brasileiras, cujos acionistas sejam brasileiros.

Em 1941 Farquhar, vendo sua margem de manobra cada vez mais tolhida por Getúlio Vargas, resolve associar-se a empresários brasileiros e divide a Itabira Iron Ore em duas empresas "brasileiras": a Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia e a Companhia Itabira de Mineração, mas esse expediente tardio não surtiu o resultado imaginado por Farquhar.
Simultaneamente, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, a situação da Inglaterra em 1940-41 era de quase total isolamento. Pressionada por Hitler, que sabendo ser impossível invadir a ilha por mar, adotava a estratégia da guerra aérea e submarina, a Inglaterra direcionou suas forças e recursos para dentro, reestruturando sua indústria bélica, que necessitava urgentemente de matéria-prima. E foram as duas empresas brasileiras recém criadas por Farqhuar que sustentariam as necessidades de ferro da Inglaterra durante a Guerra, elevando diretamente o índice de exportação de ambas as empresas.

Foi o ataque a Pearl Harbour, no final de 1941, que não somente marcou o início da reversão do curso da guerra como também o da reversão da posição do governo brasileiro. Sob o impacto da entrada dos Estados Unidos na guerra (11 de dezembro de 1941) realizou-se no mês seguinte, no Rio de Janeiro, a III Reunião de Consulta dos Chanceleres das Repúblicas Americanas. Três eram os objetivos dos Estados Unidos: obter o rompimento de todo o continente com os países do Eixo, tornar efetiva a cooperação militar e garantir o suprimento de matérias-primas estratégicas. A Argentina se mostrou francamente hostil à proposição norte-americana, o que aumentou a importância da posição a ser adotada pelo Brasil. Vendo ampliado seu poder de barganha, Getúlio Vargas negociou então, como condição implícita para aceitar demandas norte-americanas (que incluíam a utilização das bases do Nordeste, estreita colaboração militar e fornecimento de matérias-primas), uma série de garantias militares, a liberação efetiva dos recursos necessários à construção de Volta Redonda e todo um conjunto de medidas de ordem comercial. Mais ainda, conseguiu fazer com que os americanos intercedessem junto ao governo inglês no sentido de evitar quaisquer objeções à encampação das reservas de minério de ferro ainda em poder de Farquhar.

Estes entendimentos foram denominados Acordos de Washington (assinados em março de 1942) e constituíram um marco político importante. De um lado, porque eles puseram fim à fase de expectativa quanto ao desfecho da guerra e de hesitação quanto ao engajamento do Brasil no lado dos Aliados; de outro porque, vencida essa hesitação, foi o próprio Vargas quem tomou a iniciativa de tentar transformar esse engajamento numa "aliança privilegiada" (em relação aos demais países da América Latina) com os Estados Unidos e de estendê-la aos campos político, militar e econômico. No plano econômico, na vinda ao Brasil, também por solicitação de Vargas, da primeira missão norte-americana que formulou diretrizes globais para o desenvolvimento econômico do pais (Missão Cooke), tendo como um dos resultados a assinatura, por Getulio Vargas, em 1º de junho de 1942, do decreto-lei No 4.352, que criou a Companhia Vale do Rio Doce. A nova empresa, constituída como uma sociedade anônima de economia mista, encampa as empresas de Farquhar e assume o controle da Estrada de Ferro Vitória a Minas, com o objetivo assegurar o suprimento estratégico de minério de ferro para a recém-criada Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, bem como para dedicar-se à exportação de minério de ferro.

Em 11 de janeiro de 1942, reúne-se a Assembléia de constituição definitiva da Vale, que aprovou os estatutos da empresa fixando a sede administrativa em Itabira (MG) e o domicílio jurídico no Rio de Janeiro (RJ); nesta ocasião, Israel Pinheiro é nomeado o primeiro presidente da empresa.

Fontes: monografia de Elis da A. Miranda, XII-FIPAM-NAEA/UFPA, 1997 ("História, Diversificação e Espacialização da CVRD na Amazônia Oriental e sua importância ao Pará"), além dos sites CPDOC da FGV-Rio, da Vale e da Wikipedia (esta, mesmo não sendo considerada uma fonte científica, foi incluída pela abrangência das informações obtidas, que devem sempre ser confirmadas antes de citadas).

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Metodologia: Referências Teóricas

O excesso de chuvas neste periodo de janeiro a junho deslocou o foco incial da pesquisa da experiência no campo (no caso Parauapebas e adjacências) para o processo investigativo e reflexivo.

Embora considere que na pesquisa-ação, como se pretende este estágio de pós-doc, não haja uma separação nítida entre as pesquisas teórica e empírica, faz-se necessário organizar o pensamento nos seguintes termos:

Metodologia Teórica e Investigativa

Período da Pesquisa: Janeiro a Maio de 2009.
Localização da Pesquisa: cidade de Belém (biblioteca do NAEA)

Dois procedimentos básicos, um de caráter investigativo e outro de caráter reflexivo:

1- Pesquisa multidirecional por meio de busca, leitura, acompanhamento e clippagem on-line de todo material referente a Vale: noticias, publicidade (anúncios impressos, material audiovisual etc), assessoria de imprensa, mídia espontânea etc. Fontes: site institucional da Vale, Folha SP, Estadao SP, Globo RJ, JB RJ, portal ORM (PA), Diário do Pará, além de blogs e sites indicados nos sistemas de busca.

2- Leitura de artigos, livros, dissertaçõe s teses, sobretudo do conhecimento produzido no âmbito da Pós Graduação do NAEA.

Referências mais importantes.

a) Quanto as reflexões conceituais acerca dos temas da Comunicação, Esfera Pública, Mídia, Opinião, Propaganda, Persuasão e afins:

- Livros de Manuel Dutra, Dominique Wolton, Jurgen Habermas e Hannah Arendt (incluindo alguns comentadores dela como Celso Lafer e Wolfgang Heuer).

- Artigos dos congressos INTERCOM, COMPOS, além de publicações referências da área como E-Compós e Revistas da ESPM e FGV.

b) Quanto aos temas do desenvolvimento sustentável e da RS das empresas:

- Artigo e livros de Ma Celia Paoli, Ladislau Dowbor, Milton Santos e Ignacy Sachs

- Artigos dos congressos ligados a Sustentabilidade, além do acompanhamento das atividades, discussões e produção do GVces - Centro de estudo da Sustentabilidade da FGV-SP e do periódico Página 22.

- Leitura dos relatórios de sustentabilidade de empresas consideradas referência na área como Natura, Banco Real e Bradesco (no Brasil), de da Vodafone e da Bayer (em nivel global).

- Teses e Dissertações NAEA: Neusa Pressler, Ana Pimenta, Rosane Steinbrenner

c) Sobre a Vale, e as questões da mineração na Amazônia:

- Acompanhamento diário dos sites da Vale, do SBB (Steel Business Briefing), MMN (Ministério das Minas e Energias), SEDECT (Sec. Estadual de Desenv. C&T), FIEPA e FIRJAN (Fed. Ind. PA e RJ), IBREM (Instituto Brasileiro de Mineração), no sentido de mapear informações e opiniões sobre as tendências e os impactos do negócio da mineração na região sudeste do Pará;

- Bibliografia: Bertha Becker, Edna Castro e Maria Celia Coelho

- Produção científica do NAEA: anais de encontros Amazônia e Fronteiras do Conhecimento, teses de M. Abreu, W. Glary, M. Arbage Lobo. Monografia de Elis Miranda.

- Primeiro EIA elaborado pela Cia. em 1985 sobre a Estrada de Ferro Carajás e Relatório de Sustentabilidade GRI3 de 2007.

- Todas as reportagens, vídeos, relatórios, artigos, teses, dissertações e material de comunicação institucional e promocional já lidos, vistos e catalogados sobre a cia. desde janeiro 2009.

- Livros e reportagens do jornalista Lucio Flavio Pinto.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Março_Começar de novo

Como a UFPa só voltou a funcionar normalmente em março, no dia 09 pude finalmente encontrar mais formalmente a minha supervisora, a profa. dra. Edna Castro (antes tínhamos mantido contato por email). Tivemos um encontro rápido para que ela formalizasse meu estágio de pós-doc na reunião da congregação do NAEA - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos. Então, se janeiro e fevereiro foram meses de adaptação e estruturação de um ambiente de trabalho, em março foi quando a pesquisa entrou na rotina pela ida e permanência na biblioteca do NAEA. Como no estágio de pós-doutorado você tem mais liberdade, confesso minha alegria em poder estar aqui, nesta biblioteca, onde já levantei todas as dissertações, teses e monografia defendidas que tem a ver com minha pesquisa, além de livros e periódicos. Duas dessas referências foram muito importantes, as dissertações da Ana Pimenta sobre o Marketing Verde da madereira Cikel e o da Neusa Pressler sobre as Ações de RSE das subsidiárias da Vale (Albrás-Alunorte-Pará Pigmentos).
Relendo meu projeto enviado a Edna e ao CNPq em maio de 2008, não gostei nada nada do que escrevi. Estou repensando quase tudo.
Em março eu também entrevistei o jornalista Lucio Flavio Pinto, o ex-terceirizado da Vale em Parauapebas Cristiano Moraes, e a publicitária Angela Naiff.

Águas de Março


Gente, nem acreditei quando vi este anúncio da Vale nos jornais daqui, O Liberal e Diário do Pará. Tudo a ver com a minha pesquisa. Desculpe se ele está meio fora proporção mas foi a própria configuração do blog que mexeu. Aqui achei que minha pesquisa fosse deslanchar.
Mas março também foi o mês da formatura em direito de meu sobrinho Rafael, para a qual minha familia se mobilizava. Em Belém, uma colação em direito no Hangar tem um valor social quase sagrado. Eu, de minha parte, estava feliz por ele e porque minha irmã viria com seu marido e sogra dos EUA, onde vivem. Então, até o dia 11 de março, estive por conta da familia. Aí, no dia 9 minha internet da claro pifou e foi um balde de água fria pois ficar aqui sem net foi e ainda está sendo um exercicio. Isso me levou a vir direto pra UFPA (q finalmente retomou suas atividades), onde pude começar a frequentar a biblitoeca do NAEA. E no dia 14, sofri uma queda na escada e bati forte as costas, o que me deixou alguns dias com muita dor. Na pesquisa, continuei a acompanhar o que saia na midia sobre a Vale, as próprias news da Cia. (via site deles) e voltei a ler alguns de meus autores basilares: Arendt, Habermas, Paoli. Mas tudo muito fragmentado. E haja chuva por aqui.

O Forum Social Mundial em Belém

Ter participado do FSM foi uma das maiores experiência de minha vida. Insisto nisso porque ver o encontro de milhares de pessoas com diferentes culturas, religiões, línguas, origens e perceber a capacidade que temos de nos comunicar quando realmente queremos foi uma sensação única de vida activa no sentido harendtiano mesmo. Em especial, destaco a presença do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc no debate sobre os impactos dos projetos da Vale em Barcarena (Albrás-Alunorte), e a passeata de abertura, que reuniu mais de 200 mil pessoas nas ruas de Belém.
Para a pesquisa, foi fantástico também porque pude acompanhar todos os discursos, manifestações e mobilizações contra a Vale, além de identificar as opiniões dos representantes do Poder Público, dos Movimentos Sociais e das ONGs em relação a Cia. Foi especialmente enriquecedor ver a mobilização do movimento Justiça nos Trilhos. Como peguei bastante material, acho que alguns deles serão usados diretamente na pesquisa.