quinta-feira, 4 de junho de 2009
Cronologia Resumida da Vale (com os fatos mais importantes desde sua criação, segundo a própria Cia.)
Em 1° de junho de 1942, Getúlio Vargas publicava o Decreto 4.352 que encampava as Companhias Brasileira de Mineração e Siderurgia S.A. e Itabira de Mineração S.A. para criar a Companhia Vale do Rio Doce, com o propósito de explorar as jazidas da região de Itabira, bem como garantir o suprimento de ferro . E em 11 de janeiro de 1943 reuniu-se a assembléia de acionistas, que aprovou os estatutos da empresa fixando a sede administrativa em Itabira (MG) e o domicílio jurídico no Rio de Janeiro (RJ). Da sua sede em Itabira (em tupi, pedra que brilha), talvez por ironia, terra do grande poeta Carlos Drummond de Andrade (1902–1987), que a descreveu como cidade que tem "noventa por cento de ferro nas calçadas; oitenta por cento de ferro nas almas" partia ferro para abastecer a nascente Companhia Siderúrgica Nacional. Israel Pinheiro foi eleito o primeiro presidente da empresa.
Já em 1949, a Vale é responsável por 80% das exportações brasileiras de minério de ferro. Neste mesmo ano, criou-se o Centro de Estudos Ferroviários em Vitória (ES), sob orientação de Eliezer Batista da Silva.
No início da década de 1950 o Governo brasileiro assume o controle definitivo do sistema operacional da Vale. É realizado o primeiro embarque de minério de ferro para o Japão. Depois de montar um complexo mina-ferrovia-porto, em 1951, a estatal exportou seu primeiro 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro. Seguiu-se uma década de política de comercialização agressiva, que a transformou numa exportadora de peso mundial.
Em 1960 foi criada a Companhia Siderúrgica Vatu, primeira subsidiária da Vale para o beneficiamento de minérios, fabricação e comercialização de ferro-esponja.
Em 1962, foram assinados contratos de longo prazo com siderúrgicas japonesas e usinas alemãs. Em 2 de outubro, é criada a subsidiária Vale do Rio Doce Navegação S.A. (Docenave).
Em 1966, inauguração do Porto de Tubarão, em Vitória (ES).
Em 1967, geólogos da cia. Meridional de Mineração, subsidiária da United States Steel Corp., constatam a ocorrência de minério de ferro em Carajás (PA).
Em 1970, acordo torna a Vale sócia majoritária do empreendimento de Carajás (PA), junto com a US Steel Co.
Em 7 de julho de 1971, é fundada a Rio Doce Geologia e Mineração S.A. (Docegeo), subsidiária integral da Vale, com o objetivo de realizar pesquisas e lavra de minério.
Em 1972, Vale e US Steel constituem a Valuec Serviços Técnicos, para analisar a viabilidade do Projeto Carajás. E Vale firma convênio com a Alcan Aluminiun Ltd., do Canadá, para um projeto de exploração de bauxita na região do Rio Trombetas.
A Vale se torna a maior exportadora de minério de ferro do mundo, detentora de 16% do mercado transoceânico do minério em 1974.
Em 1975, pela primeira vez, a Vale lança debêntures no mercado internacional, no valor de 70 milhões de marcos, com intermediação do Dresdner Bank.
Em 1976, o Decreto nº 77.608 outorga à Vale a concessão para construção, uso e exploração da estrada de ferro entre Carajás (PA) e São Luís (MA).
Em 1977, Vale anuncia prioridade ao Projeto Carajás, para, a partir de 1982, iniciar a exportação do minério de ferro pelo Porto de Itaqui (MA).
Em 1978, Projeto Carajás é reformulado e reduzido a dimensões mais modestas em vista da queda da demanda mundial por minério de ferro. Início da construção da Estrada de Ferro Carajás (EFC).
Em 1979, início efetivo da implantação do Projeto Ferro Carajás, adotado como principal meta da estratégia empresarial da Vale
1980
- Governo Federal aprova o Projeto Ferro Carajás e dá o aval financeiro.
- Vale incorpora a Amazônia Mineração (Amza), criando a Superintendência de Implantação do Projeto Ferro Carajás (Sumip).
- Constituição do Conselho Técnico de Ecologia (Geamam), composto por cientistas das universidades brasileiras.
1985
- Em 28 de fevereiro, a empreiteira Rodominas entrega a Estrada de Ferro Carajás (EFC) à Vale. - Inauguração do Pojeto Ferro Carajás, que aumenta a capacidade produtiva da empresa, agora estruturada em dois sistemas logísticos distintos (norte e sul).
1986
- Início da operação do terminal portuário de ponta da madeira, em São Luís (MA).
1988
- Vale elimina o uso de carvão vegetal de florestas nativas e alcança auto-suficiência do material a partir de florestas plantadas.
1989
- Vale elabora Plano Estratégico 1989-2000, com foco na internacionalização.
- Implantação do Programa de Participações nos Resultados (PR) para os empregados da Vale.
1992
- Apresentação do primeiro projeto de desenvolvimento sustentável do país, o Projeto Pólos Florestais, na Conferência ECO 92, no Rio de Janeiro (RJ).
1993
- O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas classifica a Vale como a primeira empresa no ranking nacional.
1994
- Em março, a Vale lança seu programa de american depositary receipts (ADR), negociáveis no mercado de balcão dos estados unidos sob o código CVROY.
1995
- A Vale é incluída no programa nacional de desestatização pelo decreto n° 1.510, de 1º de junho, assinado pelo presidente da república, Fernando Henrique Cardoso.
1996
- Em 10 de outubro, o conselho nacional de desestatização (CND) aprova o modelo de desestatização da Vale.
1997
- O Ministro do Planejamento, Antônio Kandir, anuncia, em 22 de janeiro, que o leilão de venda do controle acionário da Vale ocorrerá em abril.
- BNDES divulga, em 6 de março, o edital de privatização da vale.
- BNDES lança cartilha sobre a privatização da vale.
- Em 6 de maio, a Vale é privatizada em leilão realizado na bolsa de valores do Rio de Janeiro
- Participaram do leilão o consórcio Valecom, articulado pelo grupo Votorantim, e o consórcio Brasil, liderado pela CSN.
- O Consórcio Brasil arremata 41,73% das ações ordinárias da vale por r$ 3.338 milhões em moeda corrente.
- Em 12 de maio, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, é nomeado, em assembléia geral de acionistas, presidente do conselho de administração da Vale.
- Jair Bilachi, da previ, é o vice-presidente.
1998
- No primeiro ano após a privatização, a vale atinge crescimento de 46% no lucro em relação a 96.
- Lançado o programa "de volta para o futuro", de apoio à educação formal, para propiciar o primeiro grau completo a todos os empregados da Vale.
1999
- Vale tem o maior lucro de sua história: r$ 1,251 bilhão.
2000
- Vale produz 119,7 milhões de toneladas de minério de ferro, um recorde histórico.
2001
- 29 de março: lançado o banco de dados do projeto Vale Memória, no Rio de Janeiro, idealizado e produzido pelo Museu da Pessoa.
- Março: efetivado o descruzamento das participações acionárias envolvendo a Vale e a CSN.
2002
- Março: inaugurada oficialmente a usina de pelotização de São Luís (MA).
- 2 de maio: o presidente Fernando Henrique Cardoso lança a pedra fundamental do projeto de Cobre do Sossego (PA).
- Julho: mês do aniversário de 35 anos de operação de Carajás, Vale atinge recorde na produção de minério de ferro, 5 milhões de toneladas.
2003
- 16 de janeiro: a Vale anuncia parceria com a Mitsui, empresa japonesa da área de logística, para negócio de transporte intermodal.
- 31 de março: a Vale compra 50% das ações da Caemi mineração e metalurgia s. a. (Caemi) por US$ 426,4 milhões.
- Durante o ano: 67% dos negócios com as ações da Vale foram realizados na bolsa de Nova York, contra 33% realizados na Bovespa, no Brasil, nenhuma empresa desenvolveu tantos projetos como a Vale, que reforça sua posição de maior investidora privada do país, ao aplicar US$ 1,988 bilhão em 2003.
2004
- 5 de janeiro: as ações da Vale atingem recorde histórico de rendimento. Com isso, a empresa alcança valor superior a R$ 23 bilhões no mercado.
- 2 de julho: inaugurada a Mina do Sossego, a primeira mina de cobre do Brasil, no Pará. O projeto, realizado em tempo recorde, teve 73% de sua mão-de-obra local. A previsão é que, em 2010, os projetos de cobre da Vale já estejam produzindo 650 mil toneladas anuais.
- Novembro: a Vale atinge o valor de mercado de us$ 25 bilhões..
2005
- A empresa foi escolhida por analistas de investimento, pela terceira vez consecutiva, em pesquisa realizada, pela conceituada revista Institutional Investor, como a empresa que possui a melhor governança corporativa na indústria de mineração e metais da América Latina.
- Em 22 de setembro acontece o lançamento do Vale Investir, programa que permite aos investidores brasileiros reinvestir automaticamente os recursos recebidos provenientes da remuneração aos acionistas – dividendos e/ou juros sobre o capital próprio – na compra de ações da empresa.
- Vale registra recorde histórico na produção de minério de ferro, alcançando a marca de 240,413 milhões de toneladas, 10,3% acima do volume produzido em 2004, 218,010 milhões de toneladas.
- A empresa consolida seu ingresso na indústria de concentrado de cobre, com o primeiro ano integral de operação da Mina do Sossego e vendas para 13 clientes em 11 diferentes países. a produção do Sossego ultrapassa, em 2005, a barreira das 100 mil toneladas de cobre em concentrado, totalizando 107 mil toneladas.
- Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE) concede à Vale, no dia 8/12, o prêmio ABERJE nacional de melhor empresa de comunicação do ano nas categorias eventos especiais, vídeo de comunicação externa, e-news interna, relacionamento com comunidade e internet, além de 19 prêmios regionais, em diversas categorias.
- Centro de formação e qualificação profissional foi destaque pelo programa de trainees, denominado programa caça-talentos. Durante 11 meses, sob a orientação de um executivo da empresa, 150 jovens recém-graduados participaram de um programa de formação teórica e prática.
- A Vale foi premiada, neste ano, pela revista biodiversidade e pelo trabalho de pesquisa desenvolvido com o instituto ambiental Vale do Rio Doce - IAVRD.
2006
- 4 de janeiro: a usina hidrelétrica de Aimorés entra em regime de operação comercial plena, gerando 140mw para o sistema elétrico brasileiro.
- 5 de junho: a Vale conquista dois prêmios pela International Association of Business Comunicators - IABC, nas categorias comunicação com empregados e publicação.
2007
- 25 de maio: foi protocolado o prospecto preliminar junto à comissão de valores mobiliários (CVM), referente à oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias de emissão de nossa subsidiária Log-In Logística Intermodal s/a.
- 24 de setembro: foi anunciado o plantio de 346 milhões de árvores até 2010, o que corresponde ao maior projeto de revegetação e preservação ambiental da América Latina.
- 25 de outubro: anunciamos investimentos de us$ 11 bilhões para 2008 – o maior programa já anunciado por uma mineradora no mundo.
- Lançamento da campnha mudial com o novo Logo e Nome da Vale
2009
22 de maio A Vale informa que a proposta de mudança de seu nome legal para Vale S.A. de Companhia Vale do Rio Doce foi aprovada hoje na Assembléia Geral Extraordinária.
Fonte: site da cia. e suas subsidiárias. A cronologia no site se encerra em 2007 ( apenas a nota da mudança do nome legal foi acrescentada) . Assim que eles atualizarem o biênio 2008-2009, também o farei aqui.
O embrião da Vale
Em 1910, no XI Congresso Geológico e Mineralógico, realizado em Estocolmo, na Suécia essas reservas foram estimadas em 2 bilhões de toneladas métricas. No mesmo ano foram esboçados os primeiros projetos de levar a ferrovia até Itabira (MG). Com dificuldades ela foi avançando no sentido da cidade mineira de Diamantina. Em 16 de junho de 1911, através do decreto No 8787, o governo brasileiro autorizou o funcionamento no país da Itabira Iron Ore Company, empresa organizada pelo grupo inglês Brazilian Hematite Syndicate para operar o processo de exploração e exportação de minério de ferro das jazidas de Itabira, então administrada pelo empresário norteamericano Percival Farquhar.
Farquhar pretendia extrair o minério de ferro de Itabira para exportá-lo - ao ritmo de cerca de 10 milhões de toneladas/ano - através de Santa Cruz, ES, onde construiria uma pequena usina siderúrgica (com capacidade de 150 mil toneladas/ano), capaz de produzir materiais siderúrgicos mais básicos tais como trilhos, perfis, chapas grossas e vigas. Navios do Sindicato Farquhar levariam o minério de ferro aos países industrializados e retornariam carregados de carvão mineral, oriundo dos Estados Unidos e da Europa, suprindo assim a ausência desse insumo essencial no Brasil.
Esse ousado e gigantesco projeto, orçado em 80 milhões de dólares, obteve toda a simpatia do presidente da república Epitácio Pessoa, que assinou o famoso Contrato Itabira de 1920. Imediatamente Farquhar passaria a sofrer uma feroz oposição de Arthur Bernardes, presidente do Estado, então quase autônomo, de Minas Gerais.
Farquhar sofre seu primeiro revés quando Arthur Bernardes se torna Presidente da República, em 1922, e promulga uma lei que taxava em 3 mil réis por tonelada o minério de ferro que fosse exportado em bruto, inviabilizando assim o negócio.
Em 1930 Getúlio Vargas, de forte discurso e tendência nacionalista, contando com o apoio dos tenentes, assume o poder no Brasil à frente da revolução de 30. Em 1935, o governo de Getúlio Vargas enfrenta os interesses da poderosa Itabira Iron Ore encampando a Estrada de Ferro Vitória a Minas. Sete anos depois é outorgada uma nova constituição para o Estado Novo, determinando que a exploração das jazidas minerais no Brasil passe a depender de prévia concessão do governo federal, a qual só poderá ser outorgada a empresas brasileiras, cujos acionistas sejam brasileiros.
Em 1941 Farquhar, vendo sua margem de manobra cada vez mais tolhida por Getúlio Vargas, resolve associar-se a empresários brasileiros e divide a Itabira Iron Ore em duas empresas "brasileiras": a Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia e a Companhia Itabira de Mineração, mas esse expediente tardio não surtiu o resultado imaginado por Farquhar.
Simultaneamente, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, a situação da Inglaterra em 1940-41 era de quase total isolamento. Pressionada por Hitler, que sabendo ser impossível invadir a ilha por mar, adotava a estratégia da guerra aérea e submarina, a Inglaterra direcionou suas forças e recursos para dentro, reestruturando sua indústria bélica, que necessitava urgentemente de matéria-prima. E foram as duas empresas brasileiras recém criadas por Farqhuar que sustentariam as necessidades de ferro da Inglaterra durante a Guerra, elevando diretamente o índice de exportação de ambas as empresas.
Foi o ataque a Pearl Harbour, no final de 1941, que não somente marcou o início da reversão do curso da guerra como também o da reversão da posição do governo brasileiro. Sob o impacto da entrada dos Estados Unidos na guerra (11 de dezembro de 1941) realizou-se no mês seguinte, no Rio de Janeiro, a III Reunião de Consulta dos Chanceleres das Repúblicas Americanas. Três eram os objetivos dos Estados Unidos: obter o rompimento de todo o continente com os países do Eixo, tornar efetiva a cooperação militar e garantir o suprimento de matérias-primas estratégicas. A Argentina se mostrou francamente hostil à proposição norte-americana, o que aumentou a importância da posição a ser adotada pelo Brasil. Vendo ampliado seu poder de barganha, Getúlio Vargas negociou então, como condição implícita para aceitar demandas norte-americanas (que incluíam a utilização das bases do Nordeste, estreita colaboração militar e fornecimento de matérias-primas), uma série de garantias militares, a liberação efetiva dos recursos necessários à construção de Volta Redonda e todo um conjunto de medidas de ordem comercial. Mais ainda, conseguiu fazer com que os americanos intercedessem junto ao governo inglês no sentido de evitar quaisquer objeções à encampação das reservas de minério de ferro ainda em poder de Farquhar.
Estes entendimentos foram denominados Acordos de Washington (assinados em março de 1942) e constituíram um marco político importante. De um lado, porque eles puseram fim à fase de expectativa quanto ao desfecho da guerra e de hesitação quanto ao engajamento do Brasil no lado dos Aliados; de outro porque, vencida essa hesitação, foi o próprio Vargas quem tomou a iniciativa de tentar transformar esse engajamento numa "aliança privilegiada" (em relação aos demais países da América Latina) com os Estados Unidos e de estendê-la aos campos político, militar e econômico. No plano econômico, na vinda ao Brasil, também por solicitação de Vargas, da primeira missão norte-americana que formulou diretrizes globais para o desenvolvimento econômico do pais (Missão Cooke), tendo como um dos resultados a assinatura, por Getulio Vargas, em 1º de junho de 1942, do decreto-lei No 4.352, que criou a Companhia Vale do Rio Doce. A nova empresa, constituída como uma sociedade anônima de economia mista, encampa as empresas de Farquhar e assume o controle da Estrada de Ferro Vitória a Minas, com o objetivo assegurar o suprimento estratégico de minério de ferro para a recém-criada Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, bem como para dedicar-se à exportação de minério de ferro.
Em 11 de janeiro de 1942, reúne-se a Assembléia de constituição definitiva da Vale, que aprovou os estatutos da empresa fixando a sede administrativa em Itabira (MG) e o domicílio jurídico no Rio de Janeiro (RJ); nesta ocasião, Israel Pinheiro é nomeado o primeiro presidente da empresa.
Fontes: monografia de Elis da A. Miranda, XII-FIPAM-NAEA/UFPA, 1997 ("História, Diversificação e Espacialização da CVRD na Amazônia Oriental e sua importância ao Pará"), além dos sites CPDOC da FGV-Rio, da Vale e da Wikipedia (esta, mesmo não sendo considerada uma fonte científica, foi incluída pela abrangência das informações obtidas, que devem sempre ser confirmadas antes de citadas).
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Metodologia: Pesquisa de Campo_Roteiro de Diálogo
Grupos importantes para pesquisa: funcionários, terceirizados, poder público, ONGs, movimentos sociais organizados e comunidades impactadas.
Projetos da Vale possiveis de serem pesquisados:
Sociais:
· Escola que Vale (Parauapebas)
· Educação nos Trilhos (Marabá, Parauapebas, Açailândia, Santa Inês, São Luis)
· Vale Juventude (Marabá e Parauapebas)
· Vale Alfabetizar (Canaã, Eldorado, Marabá e Parauapebas)
Ambientais:
· Estação Conhecimento da Área de Proteção Ambiental (APA) do Igarapé Gelado
· Floresta Nacional de Carajás
· Parque Zoobotânico de Carajás
Roteiro para o encontro com os envolvidos com esses projetos:
1. Apresentação
Esse encontro é parte integrante da pesquisa de Pós Doutorado de Ma. Conceição Golobovante, realizada no âmbito da pós-graduação em desenvolvimento sustentável do trópico úmido do NAEA-UFPA, com bolsa CNPq. A pesquisadora se compromete a divulgar as informações obtidas apenas para o meio acadêmico-universitário, mantendo em sigilo o nome dos interlocutores, caso este seja o desejo deles.
Interlocutor:
Nome:
Grau de Instrução:
Ocupação:
Idade:
Roteiro de Temas
- Amazônia
- Sustentabilidade
- Vale na Amazônia: histórico e relação
- Com qual projeto da Vale está envolvido?
- Que tipo de participação?
- O papel da comunicação nessa participação
- Opinião sobre o Projeto (conflitos e consensos)
- Sugestões
Metodologia: Pesquisa de Campo
1 - Participação de eventos relacionados ao tema da pesquisa, dentre os quais eu destaco o Forum Social Mundial (realizado em janeiro em Belém), II Forum de Comunicação e Sustentabilidade (Maio em SP) e Intercom Sudeste (maio no RJ);
2 - Entrevistas realizadas com pessoas ligadas a Comunicação e/ou a Vale (fase incial, na qual eu destaco as entrevistas realizadas com o publicitário Pedro Galvão e com o jornalista Lucio Flavio Pinto).
3 - Viagens e permanência na região de Carajás, cidade de Parauapebas e serra. Essas viagens ainda não foram realizadas devido o excesso de chuvas na região. Esse contratempo meteorológico me fez rever as projeções da pesquisa, reduzindo de 4 para 3 visitas, segundo o cronograma que apresento a seguir. Na primeira viagem, observação etnográfica, reconhecimento de campo e primeiros contatos com os líderes e representantes da comunidade. Nas segunda e terceira, já com a permissão da cia., entrar na mina e poder entrevistar funcionários, terceirizados, representantes do poder público, líderes locais e comunidades envolvidas com os projetos de sustentabilidade, com vistas a elaborar o relatório final da pesquisa. Como a pesquisa não será quantitativa, não haverá um questionário formal a ser respondido. A proposta é a de um roteiro de diálogo, que abordará 3 tópicos para os entrevistados: Amazônia, Sustentabildiade e qual Solução eles propõem para os conflitos;
4 - Criação e manutenção deste blog, que relata informalmente o trajeto da pesquisa.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Metodologia: Referências Teóricas
Embora considere que na pesquisa-ação, como se pretende este estágio de pós-doc, não haja uma separação nítida entre as pesquisas teórica e empírica, faz-se necessário organizar o pensamento nos seguintes termos:
Metodologia Teórica e Investigativa
Período da Pesquisa: Janeiro a Maio de 2009.
Localização da Pesquisa: cidade de Belém (biblioteca do NAEA)
Dois procedimentos básicos, um de caráter investigativo e outro de caráter reflexivo:
1- Pesquisa multidirecional por meio de busca, leitura, acompanhamento e clippagem on-line de todo material referente a Vale: noticias, publicidade (anúncios impressos, material audiovisual etc), assessoria de imprensa, mídia espontânea etc. Fontes: site institucional da Vale, Folha SP, Estadao SP, Globo RJ, JB RJ, portal ORM (PA), Diário do Pará, além de blogs e sites indicados nos sistemas de busca.
2- Leitura de artigos, livros, dissertaçõe s teses, sobretudo do conhecimento produzido no âmbito da Pós Graduação do NAEA.
Referências mais importantes.
a) Quanto as reflexões conceituais acerca dos temas da Comunicação, Esfera Pública, Mídia, Opinião, Propaganda, Persuasão e afins:
- Livros de Manuel Dutra, Dominique Wolton, Jurgen Habermas e Hannah Arendt (incluindo alguns comentadores dela como Celso Lafer e Wolfgang Heuer).
- Artigos dos congressos INTERCOM, COMPOS, além de publicações referências da área como E-Compós e Revistas da ESPM e FGV.
b) Quanto aos temas do desenvolvimento sustentável e da RS das empresas:
- Artigo e livros de Ma Celia Paoli, Ladislau Dowbor, Milton Santos e Ignacy Sachs
- Artigos dos congressos ligados a Sustentabilidade, além do acompanhamento das atividades, discussões e produção do GVces - Centro de estudo da Sustentabilidade da FGV-SP e do periódico Página 22.
- Leitura dos relatórios de sustentabilidade de empresas consideradas referência na área como Natura, Banco Real e Bradesco (no Brasil), de da Vodafone e da Bayer (em nivel global).
- Teses e Dissertações NAEA: Neusa Pressler, Ana Pimenta, Rosane Steinbrenner
c) Sobre a Vale, e as questões da mineração na Amazônia:
- Acompanhamento diário dos sites da Vale, do SBB (Steel Business Briefing), MMN (Ministério das Minas e Energias), SEDECT (Sec. Estadual de Desenv. C&T), FIEPA e FIRJAN (Fed. Ind. PA e RJ), IBREM (Instituto Brasileiro de Mineração), no sentido de mapear informações e opiniões sobre as tendências e os impactos do negócio da mineração na região sudeste do Pará;
- Bibliografia: Bertha Becker, Edna Castro e Maria Celia Coelho
- Produção científica do NAEA: anais de encontros Amazônia e Fronteiras do Conhecimento, teses de M. Abreu, W. Glary, M. Arbage Lobo. Monografia de Elis Miranda.
- Primeiro EIA elaborado pela Cia. em 1985 sobre a Estrada de Ferro Carajás e Relatório de Sustentabilidade GRI3 de 2007.
- Todas as reportagens, vídeos, relatórios, artigos, teses, dissertações e material de comunicação institucional e promocional já lidos, vistos e catalogados sobre a cia. desde janeiro 2009.
- Livros e reportagens do jornalista Lucio Flavio Pinto.
terça-feira, 26 de maio de 2009
O resumo inicial, do projeto aprovado pelo CNPq
Título do Projeto:A comunicação da responsabilidade socioambiental da Cia. Vale: do discurso midiático às práticas negociadas.
Local: cidade de Parauapebas, Estado do Pará – Amazônia
Resumo
Neste projeto buscar-se-á pesquisar em que medida as ações de Responsabilidade Socioambiental da Cia. Vale resumem-se ao discurso midiático ou se configuram, de fato, em intervenções que têm impactado e resignificado as relações empresa-sociedade, provocando uma lógica diferente da apropriação predatória que sempre norteou a ocupação do território amazônico. É sabido que a incorporação de práticas social e ambientalmente responsáveis pelas empresas não deslocou o foco das corporações do que sempre foi seu objetivo primeiro: o lucro financeiro. Antes, pelo contrário. No momento atual, percebe-se duas vogas que orientam decisivamente o movimento do capital global em relação a Amazônia: de locus infinito de exploração de riquezas (extrativismo de matéria prima) a floresta preservada passa a ser um ativo financeiro valorizado, e potencial fonte de lucro. Somado a isso, a cobertura midiática internacional influencia a opinião pública que pressiona empresas, governos e instituições a posturas mais responsáveis em relação a questão social e ambiental. As ações de responsabilidade passam então a ser valorizadas pelo capital financeiro internacional, e as corporações capitalistas são pressionadas a incorporarem os relatórios de sustentabilidade (orientados/certificados por instituições como GRI, ISO, Ethos, IBASE etc) em suas práticas cotidianas, o que exige das empresas mais transparência e abertura ao diálogo com todos os grupos impactados pelas suas atividades. A relação Capital-Amazônia-Comunicação envolve, assim, questões complexas e amplas que, no entanto, podem ser captadas por um ponto emblemático: a intervenção concreta das práticas socioambientais dessas empresas. Daí a necessidade de focar a investigação neste debate/conflito: mapear as intencionalidades, discussões e decisões que geram práticas negociadas e seus efeitos no habitat amazônico pelo viés das ciências da comunicação.
Palavras-Chave
Amazônia, Responsabilidade Social Empresarial (RSE), Comunicação, Mídia, Sustentabilidade
segunda-feira, 18 de maio de 2009
A ponte Norte-Sul
Mesmo na velocidade dos trajetos e dos acontecimentos, deu pra perceber o quanto o sudeste está distante do Norte e Nordeste. E não se trata de uma distância econômica ou social, se trata sobretudo de uma distância cultural. No Norte e Nordeste, a racionalidade capitalista de produção sempre esbarra nos imaginários, superstições e transcendências por vezes imperativos dos saberes locais. Quando há a pior combinação dos dois, gera-se elites e classes médias consumistas, preconceituosas e individualistas pouco ou nada interessadas em projetos coletivos de convivência civilizada.