O anúncio da queda do lucro da Vale no 2o trimestre de 2009 teve um destaque desigual entre os principais veículos desse país. Enquanto Globo.com e Estadão.com deram notas simples e logo as tiraram do destaque, em Belém apenas o portal ORM preproduziu a nota da Globo e o Diário do Pará nada deu. Incrível como uma nota denagtiva da companhia desapareça dos destaques em periodo de tempo tão curto. Apenas a Folha de São Paulo deu em chamada de capa do jornal impresso a notícia (edição de hoje, 30/7), que continua sendo destaque no site da Folha on line, mesmo passadas 24 horas do anúncio, o que na internet é quase uma eternidade. Então, fiquemos com a nota da Folha.
"Crise e real forte derrubam lucro da Vale".
Este resultado vem pior que a expectativa do mercado, pois o aumento no volume de vendas é anulado pela queda no preço do minério de ferro após crise.
Afetado pela redução do preço do minério de ferro e pelo câmbio, o lucro da Vale ficou em R$ 1,466 bilhão no segundo trimestre de 2009, queda de 81,5% na comparação com igual período de 2008 (R$ 7,9 bilhões), quando a economia global estava ainda aquecida. Foi o pior desempenho para tal período do ano desde 2003. Em relação ao lucro do primeiro trimestre (R$ 3,151 bilhões) deste ano, que já havia sido fraco por conta da crise, o lucro caiu 53,5%. O resultado surpreendeu negativamente os analistas, que esperavam lucro entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. As ações da Vale ampliaram suas perdas após o anúncio do balanço da empresa. No pregão normal, que fechou antes de o resultado ser conhecido, a ação PNA da Vale caiu 1,69%. Já no "after market" - operações realizadas após o encerramento normal do pregão -, as ações alcançaram baixa de 3,54%. Segundo a Vale, dois fatores determinaram o pior desempenho: a valorização do real e a queda dos preços do minério de ferro. Juntos, reduziram o faturamento em R$ 3,6 bilhões. De abril a junho, a receita da companhia caiu 41,7% na comparação com o mesmo período de 2008 e somou R$ 11 bilhões. A redução de 28,2% no preço minério de ferro, principal produto da Vale, anulou o crescimento do volume de vendas do produto - de 3,6%. Apesar de ainda não ter fechado contratos com grandes clientes, como siderúrgicas da China, a mineradora informou que contabilizou todo o efeito negativo da diminuição dos preços no segundo trimestre. Como a Vale exporta quase 85% do que produz, a maior parte do seu faturamento é em dólar. Ao converter essa receita em reais, ela encolhe dada a valorização cambial - o real se valorizou em 16% ante o dólar no segundo trimestre. A variação cambial também obrigou a Vale a pagar mais Imposto de Renda. Só a despesa com o tributo cresceu R$ 2,3 bilhões. Desse modo, o câmbio e os preços mais baixos impediram que a Vale se beneficiasse da ainda tímida reação do mercado global, que consumiu mais ferro no segundo trimestre. A recuperação foi liderada pela China - cujas importações de minério de ferro cresceram 29% no primeiro semestre deste ano. No Brasil, as vendas também cresceram: 23% no segundo trimestre. Já os aumentos do cobre (30%) e do níquel (50%) no segundo trimestre geraram impacto positivo de R$ 431 milhões no faturamento.
Dívida
Apesar da expectativa de que a valorização do real reduzisse as despesas com dívidas, a Vale viu seu endividamento crescer: a dívida líquida subiu de R$ 6,2 bilhões no segundo trimestre de 2009 para R$ 8,3 bilhões no segundo trimestre deste ano. A empresa não informou os motivos no balanço. (PEDRO SOARES)
quinta-feira, 30 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Por onde começar ?
Esse mês de julho tem sido um hiato na pesquisa. Depois da viagem a campo e das entrevistas, a burocracia e as demandas paralelas me tiraram da rotina da leitura e escrita. Agora sinto a necessidade de escrever. Mas por onde começar? Por mais que já tenha começado inúmeras vezes, o fato é que o pensamento já tem dificuldade de um fôlego maior. Consigo pensar em drops, quase cápsulas, talvez por vício profissional (publicitário pensa em 30 segundos, pelo menos até a minha geração), mas dificilmente em 30 páginas. Não sei ao certo como consegui produzir as mais de 200 da tese de doutorado e os artigos que vieram depois. Acho que há um espírito da escritura, que sempre vem e nos arrebata em algum momento, e aí a coisa deslancha.
Mas e até lá? por onde começar? Quando não há rumo, não há bússola, não há espíritos. Há vc e a tela em branco, e vc é um sujeito oprimido por tantas idéias já pensadas, mas parece que nenhuma passa no furo mínimo da agulha do cérebro para chegar na ponta dos dedos e se materializar em letras, palavras, frases e conhecimento. Que devem ter nexo, profundidade, rigor, precisão, isso tudo ou correm o risco do não terem o selo "científico". Mart'nália canta agora no rádio que é "inútil se tentar fugir da longa estrada", e como fiz semiótica, leio os sinais.
Começo então com um cara que tem me inspirado muito ultimamente, o Celso Furtado e um trecho que tinha separado para ser uma provável epígrafe. Celso diz na página 15 do seu genial o mito do desenvolvimento econômico: "os mitos tem exercido inegável influência sobre a mente dos homens que se empenham em compreender a realidade
social. ... O mito congrega um conjunto de hipóteses que não pode ser testado. ... Assim os mitos operam como faróis que iluminam o campo de percepção do cientista social". Faróis, quais faróis? Me vem que prefiro Pentecostes à Torre de Babel. À parte o messianismo, a moral da história das labaredas de fogo que falam línguas desconhecidas e, contudo, fazem todos se entender e entrar na mesma sintonia me seduz. Esse mito me interessa menos como uma estratégia de evangelização, e mais pelo ato em si, pelas línguas em fogo que podem até queimar e virar cinza, mas antes, podem, pela palavra, se expressar, discutir e gestar um novo tempo para a Amazônia. (Foto de lu_bezerra, "Pentecostes")
Mas e até lá? por onde começar? Quando não há rumo, não há bússola, não há espíritos. Há vc e a tela em branco, e vc é um sujeito oprimido por tantas idéias já pensadas, mas parece que nenhuma passa no furo mínimo da agulha do cérebro para chegar na ponta dos dedos e se materializar em letras, palavras, frases e conhecimento. Que devem ter nexo, profundidade, rigor, precisão, isso tudo ou correm o risco do não terem o selo "científico". Mart'nália canta agora no rádio que é "inútil se tentar fugir da longa estrada", e como fiz semiótica, leio os sinais.
Começo então com um cara que tem me inspirado muito ultimamente, o Celso Furtado e um trecho que tinha separado para ser uma provável epígrafe. Celso diz na página 15 do seu genial o mito do desenvolvimento econômico: "os mitos tem exercido inegável influência sobre a mente dos homens que se empenham em compreender a realidade
social. ... O mito congrega um conjunto de hipóteses que não pode ser testado. ... Assim os mitos operam como faróis que iluminam o campo de percepção do cientista social". Faróis, quais faróis? Me vem que prefiro Pentecostes à Torre de Babel. À parte o messianismo, a moral da história das labaredas de fogo que falam línguas desconhecidas e, contudo, fazem todos se entender e entrar na mesma sintonia me seduz. Esse mito me interessa menos como uma estratégia de evangelização, e mais pelo ato em si, pelas línguas em fogo que podem até queimar e virar cinza, mas antes, podem, pela palavra, se expressar, discutir e gestar um novo tempo para a Amazônia. (Foto de lu_bezerra, "Pentecostes")
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
Relatório Técnico
A conquista de uma bolsa de estudos dos organismos de fomento sempre implica a produção de um relatório técnico final, com os resultados da pesquisa. Justo, justíssimo. Porém, vc ter que fazer um relátório quando sua pesquisa ainda não acabou, e vc está pleiteando uma prorrogação é mais uma daquelas situações kafkianas da burocracia. Depois de falar com várias pessoas, chega-se a brilhante conclusão que a "culpa é do sistema". Ou seja, essa máxima que parece uma praga do Egito a se espalhar em todas as relações do cidadão com as instituições ganha ares de naturalidade, e faz com que muitos aceitem tal justificativa non sense pacificamente. Confesso minha irritação não apenas pelo meu caso particular, mas sobretudo porque essa bestialidade está se tornando uma regra geral a qual, todos nós, a quem o sistema deveria servir, devemos nos submeter a seus caprichos e incompetências. A minha pergunta é: quem está por trás do sistema???? Essas pessoas têm que pensar nas brechas, pq nada que é humano, é linear. E olha que no meu caso nem é nada assim tão complexo: tudo o que preciso é que o sistema abra o formulário para eu enviar meu relatório.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Protestos Pessoais_ Em defesa do Lúcio Flavio e da Amazônia
Esta semana estive fora do ar por conta da viagem a SP, onde vim administrar a obra e tb buscar algumas referências da pesquisa. Nesse traslado, estou ainda, mais de um mês depois, ainda às voltas com suporte do CNPq q não consegue resolver o problema do formulário de prestação de contas. Mas esse imbróglio institucional não é nada se comparado à injustiça da sentença que condenou o jornalista Lúcio Flavio Pinto a indenizar os irmãos Maiorana em 30 mil reais. Tal decisão judicial já deu origem a uma série de protestos virtuais, com os quais esse blog se associa. Está sendo organizado um abaixo-assinado que em menos de 10 dias já reune quase 400 assinaturas, e há tb o blog http://solidariedadelucioflaviopinto.blogspot.com/, onde as pessoas podem postar comentários ou colaborar com o Jornal Pessoal. Estou nessa não apenas pelo Lúcio, a quem admiro e respeito, mas sobretudo pela Amazônia. Acho que a voz do Lúcio oxigena a discussão e ajuda a pensar caminhos mais justos e adequados para a região.
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
O que muda com a Pesquisa de Campo ? (Decifra-me ou eu mesma me devoro)
Acho q todo pesquisador já passou por isso. Um belo dia ele acorda com uma idéia e decide fazer um projeto de pesquisa. É provável que inconscientemente ele tenha maturado essa idéia por muito tempo. Define o tema e parte para a escritura dos objetivos, metodologias, justificativas, referências etc. Arma tudo direitinho, põe no papel, encontra um orientador que tope, acha um abrigo institucional (diga-se um programa de pós-graduação) e, quando tem sorte, consegue uma bolsa. Que felicidade!!! Sair do masmorra do trabalho controlado e poder pensar - além de ser pago por isso. Mas a alegria não dura muito, pois a partir do dia que o sujeito se atrela, junto com a alegria, vem duas assombrações de meter medo no mais cético dos ateus: o prazo e as exigências. E se o projeto prevê pesquisa de campo (no sentido mais empírico que esse termo possa ter) e ainda for da área de Humanas, aí é que a tarefa ganha muito em emoção. Pelo menos na área da comunicação, é utópico (pra não dizer balalea) essa coisa da observação isenta e distanciada. Mais do que cabeça, acho que o pesquisador precisa ter coração. Não é fácil sair do conforto (inclusive térmico) da biblioteca, para enfrentar estradas péssimas, temperaturas de mais de 40 graus, poeira, falta de conforto e insegurança. Por isso acho que o campo é o maior dos desafios. Ali, tudo o que se escreveu no papel, perde o sentido. E aquela idéia que achávamos maravilhosa quando acordamos naquele bendito dia, de repente se torna inócua. A realidade é e sempre será maior do que qualquer pesquisa - ainda bem. E no entanto, por mais sofrida que seja, é dela que vem toda a adrenalina e o risco maior é que nós, ao voltarmos para a nossa confortável biblioteca, não sejamos capazes de traduzir, minimamente que seja, a riqueza do visto e vivido, seja na folha de papel, seja num produto final multimidiático. Depois de sentir o calor e a poeira nas entranhas, olhar nos olhos das pessoas, chegar aos confins da Amazônia, de ver o monstro que é o Brasil real de frente, me pergunto se serei capaz (?) e se esta pesquisa será concluída com a dignidade necessária (?). A Amazônia, me disse um entrevistado, é uma esfinge às avessas, que parece desafiar o pesquisador ao dizer-lhe, entre irônica e sedutora - Decifra-me ou Devoro-me.
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segunda-feira, 6 de julho de 2009
A Viagem de Volta a Belém

A viagem de volta foi mais rápida do que a ida. Saimos por volta das 6h30 da manhã de Parauapebas e chegamos às 16h30 em Belém. Foram 10 h de viagem passando por Marabá (o pior trecho), Jacundá, Goaianésia, Vila Aparecida, Tailândia e as entradas das cidades de Moju, Abaetetuba e Barcarena. Para mim, que fiz pela primeira vez esse caminho, achei a estrada mais rápida do que a da Belém Brasilia e a PA via Rondon. Passar pelas pontes da Alça Viária é realmente uma experiência (foto acima) Abastecemos em Marabá, Jacundá (onde almoçamos) e tb em Tailândia. Vim dirigindo direto e, mesmo cansada, cheguei bem. Agora é tentar retomar a pesquisa e pôr no papel todo o visto e vivido.
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