O Justiça no Trilhos é um movimento da região de Carajás que surgiu no final de 2007 para cobrar da Vale uma justa compensação pelos danos causados ao meio-ambiente e à população que vive nas áreas atravessadas pela ferrovia Ferro Carajás.A coordenação da campanha é composta pelas seguintes entidades:
- Missionários Combonianos
- Fórum Carajás
- Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos
- Fórum ‘Reage São Luís’
- Sindicato dos Ferroviarios de Maranhão, Tocantins e Pará
- CUT Maranhão
- Caritas Regional Maranhão
Embora alguns representantes desse mocimento tenham feito uma reunião muito profícua no Forum Social Mundial, algumas pessoas com que conversei na comunidade Palmares II, em Parauapebas, não sabem da existência desse movimento.
terça-feira, 23 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Versão para Tradução_Novos Título e Objetivos
Hoje foi um dia estranho. Amanheci mto gripada mas com a pressão sobre a cabeça de refazer o projeto para traduzi-lo para o inglês. Uma boa surpresa foi reencontrar o quadro do relatório de sustentabilidade da Vale que mostra todos os públicos que a cia. considera mais importantes e os canais de comunicação utilizados. Isso me fez sistematizar melhor a metodologia e objetivos do trabalho.
Novo Título:
A Amazônia e o Pacto Possível.
A comunicação e as práticas negociadas das ações de sustentabilidade da Cia. Vale na região de Carajás - Pará.
Ações de sustentabilidade social e ambiental da companhia Vale, possíveis de serem pesquisadas:
Sociais:
· Escola que Vale (Parauapebas)
· Educação nos Trilhos (Marabá, Parauapebas)
· Vale Juventude (Marabá e Parauapebas)
· Vale Alfabetizar (Marabá e Parauapebas)
Ambientais:
· Floresta Nacional de Carajás
· Parque Zoobotânico de Carajás
Objetivos Gerais
Novo Título:
A Amazônia e o Pacto Possível.
A comunicação e as práticas negociadas das ações de sustentabilidade da Cia. Vale na região de Carajás - Pará.
Ações de sustentabilidade social e ambiental da companhia Vale, possíveis de serem pesquisadas:
Sociais:
· Escola que Vale (Parauapebas)
· Educação nos Trilhos (Marabá, Parauapebas)
· Vale Juventude (Marabá e Parauapebas)
· Vale Alfabetizar (Marabá e Parauapebas)
Ambientais:
· Floresta Nacional de Carajás
· Parque Zoobotânico de Carajás
Objetivos Gerais
- Mapear os públicos diretamente e indiretamente impactados por essas ações, de dentro e de fora da cia., identificando nomes, funções e relações que essas pessoas estabelecem com a cia. e com o território em função das ações de sustentabilidade;
- Mapear a opinião deles acerca das ações de sustentabilidade, da comunicação com a cia. e do território amazônico;
- Construir uma reflexão teórica acerca dos conceitos de (In) Comunicação, Opinião Pública, Públicos e Persuasão verificando se as situações de comunicação verificadas em campo chegam a se constituir um espaço plural de debate e de ação, ou seja, a vida activa no sentido harendtiano do termo.
- Diagnosticados as opiniões e imaginários, incentivar processos comunicativos no sentido da democratização das informações acerca do que significa sustentabildiade em um ambiente em que os valores, racionalidades e interesses são diversos daqueles onde esses conceitos foram gerados, inclusive, propondo uma contra-comunicação dos saberes locais, que já eram historicamente sustentáveis antes de todas as tentativas, públicas e privadas, de intervenção, ocupação e desenvolvimento do território amazônico[1].
Objetivos Especificos - Pesquisar a história da cia. Vale, do ponto de vista cronológico linear, e também identificar os momentos mais importantes dessa história, provocados por influências de poderes internos e externos, seja dos governos nacional e internacionais, como dos movimentos do capital global que determinou ações importantes como a privatização da Cia. em 1997.
- Pesquisar a história da exploração mineral no Pará, identificando seus principais momentos e atores, assim como a crescente institucionalização do segmento por meio de organizações como IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração.
- Pesquisar a política de comunicação da companhia, identificando seus principais parceiros e fornecedores no Estado do Pará (Agências, Veículos, Assessorias, Consultorias etc.)
- Realizar a aproximação junto aos departamentos gestores das políticas de sustentabilidade e comunicação da Vale para solicitar autorização para entrevistar seus funcionários, no sentido de mapear os responsáveis e objetivos dos projetos, atuações, formas de divulgação e relacionamento com os stakeholders, em especial as comunidades; além de compreender os mecanismos de construção do discurso persuasivo da Vale e como os relatórios de sustentabilidade se inserem no processo;
- Nas entrevistas, mapear a percepção (opinião, imaginário) dos atores envolvidos do que se nomeia atualmente de Amazônia Sustentável, investigando inclusive o que serviu de referência para eles construírem essa opinião/imaginário;
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Atividades Diárias
Hoje o dia começou bem produtivo. Fiz uma ótima entrevista com o coordenador do IBRAM, dr. André Reis, q foi muito objetivo e solícito ao prestar informações sobre o papel do IBRAM e os principais desafios das empresas em relação a sustentabilidade.
Ele me falou que a Mineração Rio Norte irá realizar amanhã, dia 20, o 4o Encontro de Responsabilidade Social com as comunidades em Oriximiná-PA. Vou tentar conseguir noticias desse encontro para postar aqui.
Estou tentando falar com a FIEPA há uma semana para descobrir quem era o presidente da FIEPA em 1985, por ocasião da elaboração do primeiro EIA da EFC pela Vale. Vc liga lá e ninguém sabe de nada, não sabem quem foram os presidentes, nem o número do IBRAM nem do Sindicato da Mineração. Imagina se esse setor não fosse o principal da economia paraense. É lamentável.
Essa semana tenho acompanhado menos o que sai nos jornais sobre a Vale, para focar mais nas noticias da região de Carajás e sul do Pará. É impressionante como tem blog bom e muita notícia. Acho q as mídias sociais estão realmente revolucionando os relações de poder por lá pois permitem maior participação da sociedade civil nos debates sobre temas de interesse local.
Ele me falou que a Mineração Rio Norte irá realizar amanhã, dia 20, o 4o Encontro de Responsabilidade Social com as comunidades em Oriximiná-PA. Vou tentar conseguir noticias desse encontro para postar aqui.
Estou tentando falar com a FIEPA há uma semana para descobrir quem era o presidente da FIEPA em 1985, por ocasião da elaboração do primeiro EIA da EFC pela Vale. Vc liga lá e ninguém sabe de nada, não sabem quem foram os presidentes, nem o número do IBRAM nem do Sindicato da Mineração. Imagina se esse setor não fosse o principal da economia paraense. É lamentável.
Essa semana tenho acompanhado menos o que sai nos jornais sobre a Vale, para focar mais nas noticias da região de Carajás e sul do Pará. É impressionante como tem blog bom e muita notícia. Acho q as mídias sociais estão realmente revolucionando os relações de poder por lá pois permitem maior participação da sociedade civil nos debates sobre temas de interesse local.
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Evento AMAZÔNIA e Desenvolvimento Territorial no séc. XXI
A mesa "Plano Nacional de Ordenamento Territorial e Dinâmicas Regionais
para uma Amazônia Sustentável", realizada no novo auditório do novissimo prédio de Ciências Jurídicas da UFPA, teve como palestrantes o Prof. Dr. Antônio Carlos Brandão (IE/ UNICAMP), a Profª.Drª.Edna Castro (NAEA/ UFPA) e o Prof. Dr. Rogério Hasbaert (PPGEO/ UFF). Alguns bons momentos do evento:
- Quando o prof. Carlos Brandão questionou porque não há trabalhos que proponha o diálogo entre Celso Furado e Milton Santos. Pelas idéias atemporais dos dois autores, sobretudo porque buscaram esclarecer quem e como se dão os processos decisórios, quem comanda os processos do pensamento hegemônico que determinam o território;
- A profa. Edna Castro chamou atenção para dois pontos fundamentais: a dicotomia entre objetivação e subjetivação das construções dos planos de desenvolvimento (super importante pensar esses paradigmas pelas ciências sociais), e o hiato que há entre a produção do planejamento e a sua efetivação por políticas públicas concretas.
- O prof. Rogério Hasbaert foi fundo na questão conceitual: espaço, território e região. Sua apresentação dos conceitos não apenas teóricos, mas que são usados pelos planos governamentais atuais. Citando Sack: "território: a face vivida e materializada do poder.
para uma Amazônia Sustentável", realizada no novo auditório do novissimo prédio de Ciências Jurídicas da UFPA, teve como palestrantes o Prof. Dr. Antônio Carlos Brandão (IE/ UNICAMP), a Profª.Drª.Edna Castro (NAEA/ UFPA) e o Prof. Dr. Rogério Hasbaert (PPGEO/ UFF). Alguns bons momentos do evento:
- Quando o prof. Carlos Brandão questionou porque não há trabalhos que proponha o diálogo entre Celso Furado e Milton Santos. Pelas idéias atemporais dos dois autores, sobretudo porque buscaram esclarecer quem e como se dão os processos decisórios, quem comanda os processos do pensamento hegemônico que determinam o território;
- A profa. Edna Castro chamou atenção para dois pontos fundamentais: a dicotomia entre objetivação e subjetivação das construções dos planos de desenvolvimento (super importante pensar esses paradigmas pelas ciências sociais), e o hiato que há entre a produção do planejamento e a sua efetivação por políticas públicas concretas.
- O prof. Rogério Hasbaert foi fundo na questão conceitual: espaço, território e região. Sua apresentação dos conceitos não apenas teóricos, mas que são usados pelos planos governamentais atuais. Citando Sack: "território: a face vivida e materializada do poder.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009
O prazer e a dor das descobertas
O susto de desdobrir a emergência com que tenho q produzir o relatório técnico para o CNPq está passando aos poucos. Isso me fez partir para a escrita e também para algumas ações. Me filiei a ABERJE - Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, para monitorar o que há de mais recente no mundo da comunicação corporativa. E também decidi não participar do INTERCOM q será em Curitiba. Estou em dúvida se irei para o Sustentável 2009 em São Paulo em agosto, afinal este será na PUC-SP.
Também revi a bibligorafia inicialmente proposta e atualizei com alguns títulos encontrados no NAEA. Minha forma labiríntica de trabalhar na biblioteca, me dá um sentimento de perdição, pois são muitos os trabalhos voltados a explicação histórica da ocupação da Amazônia pelo grande capital internacional. Ao mesmo tempo, é doloroso descobrir os mecanismos que produziram a situação degradante em que vive boa parte da população amazônica e paraense. Os efeitos nefastos todos sentimos, mas quem engendrou esse processo não. Cabe perguntar então: quem são eles? onde eles estão? o que acham dos prejuizos sociais e ambientais que causaram? Acho que a Hannah e sua reflexão sobre a Banalidade do Mal é o que me alenta nesse processo de descobertas incômodas.
Também revi a bibligorafia inicialmente proposta e atualizei com alguns títulos encontrados no NAEA. Minha forma labiríntica de trabalhar na biblioteca, me dá um sentimento de perdição, pois são muitos os trabalhos voltados a explicação histórica da ocupação da Amazônia pelo grande capital internacional. Ao mesmo tempo, é doloroso descobrir os mecanismos que produziram a situação degradante em que vive boa parte da população amazônica e paraense. Os efeitos nefastos todos sentimos, mas quem engendrou esse processo não. Cabe perguntar então: quem são eles? onde eles estão? o que acham dos prejuizos sociais e ambientais que causaram? Acho que a Hannah e sua reflexão sobre a Banalidade do Mal é o que me alenta nesse processo de descobertas incômodas.
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Hannah Arendt
quarta-feira, 10 de junho de 2009
O lado burocrático da Pesquisa
Hoje acordei meio sobressaltada com a idéia de que não conseguiria fazer o relatório final exigido pelo CNPq como condição para a concessão da bolsa de pós-doc. Os mecanismos de solicitação, aguardo do julgamento, decisão, acompanhamento e finalização de um estágio com bolsa é sempre tenso. Isso porque há um projeto inicial que precisa ser efetivado, em todas as suas etapas, ao final do periodo. No entanto, a realidade é sempre maior e mais compelxa do que um projeto. E organizar isso em termos técnicos e de prestação de contas não é tarefa das mais fáceis. E qto maior é o projeto, mais complicado são os relatórios. De minha parte, mesmo não sendo uma pessoa inexperiente em lidar com sistemas online e elaboração de relatórios, noto o quanto eles tomam o tempo e a energia que deveria ter sido dada à pesquisa em si, à leitura e a reflexão. Hj mesmo, em meio a muitas consultas ao CNPq, emails e telefonemas, não fui capaz de ler e me concentrar nas ótimas fontes (dissertações, livros e periódicos) q havia achado ontem aqui na biblioteca do NAEA.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
Texto da Maria Celia Paoli
Parte II
"O texto visa a examinar a entrada no terreno do ativismo social voltado para o 'benefício público' de um ator nele inesperado: o empresariado. O interesse de examinar ação social voluntária vem sobretudo da ambiguidade com que se move em relação às delimitações entre interesse privado e ação pública, particularmente evidente do ponto de vista da interrogação do projeto (a possibilidade de ações contra-hegemônicas). É possivel perceber, de um lado, o possivel potencial inovador que a mobilização responsável empresrial dirige ao trasnbordamento da pobreza e das oportunidades de vida dapopulação carente. D outro lado, é visivel que essa mobilização oculta as políticas que aprofundam a exclusão social e desorientam politicamente a própria sociedade brasileira".
"Espero encaminhar neste capítulo a hipótese de que, não obstante os programas sociais produzidos pelo ativismo social empresarial apresentarem dimensões bastante positivas, os critérios próprios à noção de globalização hegemônica propostos neste projeto, como também os critérios acima expostos sobre o que vem a ser a dimensão pública e política do agir político, parecem indicar que este caso é mais um contra-exemplo de uma ação democrática participativa do que uma ação contra-hegemônica, podendo complementar-se, sem contradições insuperáveis, aos arranjos neoliberais".
Esses trechos das páginas 378 e 379 me fizeram refletir sobre alguns pontos.
O primeiro é a diferença entre ações filantrópicas e de RSE. Na verdade, há tempos que as empresas tentam imprimir profissionalismo às suas ações de RSE, incorporando-as às estratégias de negócios, inclusive anunciando publicitariamente essas ações. Ou seja, elas passam a compor o branding porque isso valoriza a percepção da marca pelos consumidores, que são informados sobre essas ações e podem decidir se acreditam ou não na proposta da empresa.
O segundo problematiza essa colocação de Paoli, pois quando nos aproximamos do cotidiano das relações estabelecidas entre empresa e os públicos impactados pelas ações, entram aí todos os fatores que escapam ao controle dos interlocutores em situação de comunicação, justamente por seu carater "entre". O que escapa e o que boicota. O que não funciona e o que resiste. E o simples fato de a empresa ter, em alguns casos, mais legitimidade junto às populações carentes (como é o caso da Vale) do que os próprios governantes, se isso facilita a ação mobilizadora num primeiro momento, seus efeitos nenhuma empresa jamais será capaz de controlar totalmente.
Terceiro: mesmo que apoiados em técnicas, profissionalismo e sistematização de conhecimento, os programas sociais e ambientais das empresas são, antes de tudo, um espaço de comunicação, pois a política de transparência exige visibilidade, que significa tornar público. Para Arendt, público significa, "em primeiro lugar, que tudo que vem a público pode ser visto e ouvido por todos e tem a maior divulgação possivel. Para nós, a aparência - aquilo que é visto e ouvido pelos outros e por nós mesmos - constitui a realidade. (...) Uma vez que nossa percepção da realidade depende totalmente da aparência, e portanto da existência de uma esfera pública (...) E em segundo lugar, o termo público significa o próprio mundo, na medida em que é comum a todos nós... Conviver no mundo significa essencialmente ter um mundo interposto entre os que nele habitam, como uma mesa se interpõe entre os que assentam a seu redor, pois, como todo intermediário, o mundo ao mesmo tempo separa e establece uma relação entre homens". E esse mundo, no caso da pesquisa é um território do planeta terra privilegiado em riquezas naturais (ameaçado) e altamente desprivilegiado em recursos humanos, devido ao baixo IDH da população (ameaça). Este é o mundo, a mesa, a esfera pública onde emergem ações (no sentido tb arendtiano, em contraponto a noção de comportamento) que são também, discursos, situações de comunicação. É percebendo o papel da mesa, o que ela tem de ponte e de abismo, que podemos tomá-la ou não como o palco da vida activa, capaz de gerar o ato inédito (natalidade) que Arendt diz só ser possivel de ser realizado por homens, entre homens, ou seja, na esfera pública. E desse encontro sempre pode surgir o ato inédito, libertador, que pode ser inclusive a empresa perceber que, depois de treinados e capacitados, aqueles mesmos a quem ela tentava "ajudar" podem utilizar suas competências para reivindicar direitos contrários aos interesses das empresas.
E , por fim, é emblemático que boa parte do pensamento de Hannah Arendt impresso no livro A Condição Humana, autora basilar para Paoli, só foi possivel graças ao apoio de duas bolsas da Fundação Rockefeller. Ou seja, novamente, desacreditar o ativismo social empresarial é, de alguma forma, não perceber que a fratura entre capital e social é um paradigma do pensamento ocidental que precisa ser revisto.
"O texto visa a examinar a entrada no terreno do ativismo social voltado para o 'benefício público' de um ator nele inesperado: o empresariado. O interesse de examinar ação social voluntária vem sobretudo da ambiguidade com que se move em relação às delimitações entre interesse privado e ação pública, particularmente evidente do ponto de vista da interrogação do projeto (a possibilidade de ações contra-hegemônicas). É possivel perceber, de um lado, o possivel potencial inovador que a mobilização responsável empresrial dirige ao trasnbordamento da pobreza e das oportunidades de vida dapopulação carente. D outro lado, é visivel que essa mobilização oculta as políticas que aprofundam a exclusão social e desorientam politicamente a própria sociedade brasileira".
"Espero encaminhar neste capítulo a hipótese de que, não obstante os programas sociais produzidos pelo ativismo social empresarial apresentarem dimensões bastante positivas, os critérios próprios à noção de globalização hegemônica propostos neste projeto, como também os critérios acima expostos sobre o que vem a ser a dimensão pública e política do agir político, parecem indicar que este caso é mais um contra-exemplo de uma ação democrática participativa do que uma ação contra-hegemônica, podendo complementar-se, sem contradições insuperáveis, aos arranjos neoliberais".
Esses trechos das páginas 378 e 379 me fizeram refletir sobre alguns pontos.
O primeiro é a diferença entre ações filantrópicas e de RSE. Na verdade, há tempos que as empresas tentam imprimir profissionalismo às suas ações de RSE, incorporando-as às estratégias de negócios, inclusive anunciando publicitariamente essas ações. Ou seja, elas passam a compor o branding porque isso valoriza a percepção da marca pelos consumidores, que são informados sobre essas ações e podem decidir se acreditam ou não na proposta da empresa.
O segundo problematiza essa colocação de Paoli, pois quando nos aproximamos do cotidiano das relações estabelecidas entre empresa e os públicos impactados pelas ações, entram aí todos os fatores que escapam ao controle dos interlocutores em situação de comunicação, justamente por seu carater "entre". O que escapa e o que boicota. O que não funciona e o que resiste. E o simples fato de a empresa ter, em alguns casos, mais legitimidade junto às populações carentes (como é o caso da Vale) do que os próprios governantes, se isso facilita a ação mobilizadora num primeiro momento, seus efeitos nenhuma empresa jamais será capaz de controlar totalmente.
Terceiro: mesmo que apoiados em técnicas, profissionalismo e sistematização de conhecimento, os programas sociais e ambientais das empresas são, antes de tudo, um espaço de comunicação, pois a política de transparência exige visibilidade, que significa tornar público. Para Arendt, público significa, "em primeiro lugar, que tudo que vem a público pode ser visto e ouvido por todos e tem a maior divulgação possivel. Para nós, a aparência - aquilo que é visto e ouvido pelos outros e por nós mesmos - constitui a realidade. (...) Uma vez que nossa percepção da realidade depende totalmente da aparência, e portanto da existência de uma esfera pública (...) E em segundo lugar, o termo público significa o próprio mundo, na medida em que é comum a todos nós... Conviver no mundo significa essencialmente ter um mundo interposto entre os que nele habitam, como uma mesa se interpõe entre os que assentam a seu redor, pois, como todo intermediário, o mundo ao mesmo tempo separa e establece uma relação entre homens". E esse mundo, no caso da pesquisa é um território do planeta terra privilegiado em riquezas naturais (ameaçado) e altamente desprivilegiado em recursos humanos, devido ao baixo IDH da população (ameaça). Este é o mundo, a mesa, a esfera pública onde emergem ações (no sentido tb arendtiano, em contraponto a noção de comportamento) que são também, discursos, situações de comunicação. É percebendo o papel da mesa, o que ela tem de ponte e de abismo, que podemos tomá-la ou não como o palco da vida activa, capaz de gerar o ato inédito (natalidade) que Arendt diz só ser possivel de ser realizado por homens, entre homens, ou seja, na esfera pública. E desse encontro sempre pode surgir o ato inédito, libertador, que pode ser inclusive a empresa perceber que, depois de treinados e capacitados, aqueles mesmos a quem ela tentava "ajudar" podem utilizar suas competências para reivindicar direitos contrários aos interesses das empresas.
E , por fim, é emblemático que boa parte do pensamento de Hannah Arendt impresso no livro A Condição Humana, autora basilar para Paoli, só foi possivel graças ao apoio de duas bolsas da Fundação Rockefeller. Ou seja, novamente, desacreditar o ativismo social empresarial é, de alguma forma, não perceber que a fratura entre capital e social é um paradigma do pensamento ocidental que precisa ser revisto.
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